Filme sobre Snowden estreia com aplausos e críticas nos EUA
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Filme sobre Snowden estreia com aplausos e críticas nos EUA

Documentário mostra como o ex-funcionário da NSA decidiu divulgar os documentos sobre espionagem americana

Redação Internacional

27 de outubro de 2014 | 16h37

Foto: AP

SAN FRANCISCO – O documentário sobre Edward Snowden, Citizenfour, recebeu aplausos e críticas durante a estreia nesse fim de semana nos cinemas dos Estados Unidos. Algumas pessoas consideram o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) um herói e outras o chamam de traidor.

O filme, dirigido pela jornalista americana Laura Poitras, começa com uma imagem difusa em um túnel de dentro de um veículo em movimento.

Poitras, que atualmente vive em Berlim, conta que era detida frequentemente nos aeroportos americanos quando começou a fazer documentários sobre os abusos do governo e lembra que em 2013 recebeu uma mensagem de alguém que se identificava apenas como citizenfour.

“Você pergunta por que te escolhi. Não fiz isso. Você fez”, dizia uma das mensagens de Snowden a Poitras. “A vigilância que sofreu fez com que fosse selecionada. Saiba que cada fronteira que atravessar, cada compra que fizer, cada telefonema, cada torre de telefonia celular pela qual passar, os amigos que tiver, os artigos que escrever, estão nas mãos de um sistema cujo alcance é ilimitado”, afirmava.

Snowden, asilado na Rússia após divulgar documentos confidenciais da NSA, convidou Poitras e o jornalista britânico Glenn Greenwald, para se reunirem com ele em Hong Kong e revelar as informações que descobriu sobre a espionagem em massa dos EUA contra cidadãos americanos e outros governos. No filme, os telespectadores podem observar como foram os encontros de 3 a 10 de junho de 2013 no quarto 1014 de um hotel de Hong Kong.

O The New York Times qualificou o documentário como “parcial e partidário”, mesma linha da crítica de David Edelstein, da New York Magazine.

O NYT lembrou que vários jornalistas que cobrem temas de segurança e tecnologia como Fred Kaplan, da revista Slate, e Michael Cohen, ex-jornalista do Guardian, criticaram as omissões e simplificações do filme.

Esses comentários, disse o jornal, mostram o desejo de chegar a um ponto médio, um equilíbrio entre o direito do público de saber e a necessidade do governo de colher informação de inteligência na luta global contra o terrorismo.

Apesar das críticas, o NYT destacou que Citizenfour evoca, como poucos filmes até agora, a presença invisível e onipresente do Estado moderno, uma abstração com enormes recursos coercitivos ao alcance. Para o jornal, estamos simplesmente começando a entender o alcance e as repercussões da coleta em massa de dados pelo governo e os questionamentos levantados por Poitras são “aterrorizantes”.

Citizenfour revela que a namorada de Snowden, que vivia com ele no Havaí quando o ex-analista começou a acessar os documentos secretos, vive agora com ele na Rússia.

Snowden, de 31 anos, voou do Havaí a Hong Kong em maio de 2013 e obteve asilo na Rússia em agosto do ano passado. Ele é acusado pelos EUA de violar a Lei de Espionagem e roubar propriedade do governo, acusações pelas quais pode ser condenado a até 30 anos de prisão. /EFE

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