Dramas esquecidos: Guerra deixou 10% dos iraquianos deficientes
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Dramas esquecidos: Guerra deixou 10% dos iraquianos deficientes

Robson Morelli

01 de fevereiro de 2010 | 15h00

Xiitas fazem peregrinação em Bagdá. Foto: AP

Xiitas fazem peregrinação em Bagdá. Foto: AP

Segundo o Ministério da Saúde iraquiano, um em cada dez cidadãos do país – três milhões de pessoas no total – possuem algum tipo de deficiência física ou mental desde o início da guerra no Iraque, em 2003.

Hamza Hameed é um dos três milhões de deficientes. Teve a perna direita amputada e um dos dedos da mão esquerda. Viveu preso em casa por um ano, até que precisou se jogar num rio para salvar o irmão que se afogava. Hameed hoje é um dos nadadores da equipe paraolímpica do Iraque e ganhou medalhas em torneios internacionais. Hameed, que mora com a mulher e os quatro filhos em um cômodo na casa dos pais, espera que o governo lhe dê uma casa. Ele recebe cerca de US$ 274 por mês do comitê paraolímpico.

ONGs admitem que é impossível precisar um número exato de vítimas, A Mercy Corps, com sede nos EUA, considera que esse é um prognóstico otimista, levando em conta que o país está em conflito desde 1977 (guerra entre Irã e Iraque, os bombardeios americanos e as sanções impostas durante o regime de Saddam Hussein).

O governo iraquiano não tem meios para dar apoio aos deficientes. O Ministério da Saúde possui apenas 21 centros de reabilitação e 12 laboratórios de próteses – não é possível abrir novas instalações por conta da falta de médicos e técnicos. Por conta da falta de matéria-prima, apenas um quarto dos amputados conseguem próteses. O Ministério do Trabalho e de Assuntos Sociais paga cerca de US$ 40 por mês para os deficientes.

A violência no Iraque diminuiu, mas os feridos são uma constante recordação de uma luta que matou mais de 100 mil iraquianos desde o início da invasão americana, em 2003. Durante a guerra entre o Irã e o Iraque, na década de 1980, um milhão de pessoas morreu em cada país.

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