E o Brasil com isso?: A disputa sobre as Malvinas
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E o Brasil com isso?: A disputa sobre as Malvinas

Ricardo Galhardo

25 de fevereiro de 2010 | 07h00

Soldados britânicos nas Malvinas, em 1982

Soldados britânicos nas Malvinas, em 1982

O apoio do Brasil à reivindicação de soberania argentina nas Malvinas é coerente com a posição do País durante o conflito nos anos 80. Na época, o Brasil e a Argentina estavam num momento de reaproximação, depois da assinatura, em 1979, do tratado que resolveu a disputa sobre os projetos para a construção das hidrelétricas de Itaipu e de Corpus.

Em 1980, o último presidente do regime militar, João Batista Figueiredo, visitou a Argentina (na primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao país vizinho em mais de 40 anos) e assinou um acordo de cooperação nuclear. Para se ter uma ideia, anos antes a desconfiança entre os dois países era tanta que os argentinos afirmavam que Itaipu seria uma usina estratégica, porque se suas comportas fossem abertas, Buenos Aires seria inundada.  

Em 1982, o apoio – ainda que tímido ­- ao vizinho na Guerra das Malvinas ajudou a consolidar o processo de criação de confiança, abrindo caminho para o que seria o Mercosul. Durante a guerra, aviões Bandeirantes Emb-11 foram comprados pelos argentinos em condições vantajosas. A Embaixada do Brasil em Londres passou a representar os negócios argentinos junto à coroa britânica. E nas duas reuniões do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o Brasil votou a favor das moções que condenavam o boicote da então Comunidade Econômica Europeia à Argentina.

É esse passado que Lula evoca ao apoiar a reivindicação argentina na Cúpula de Países da América Latina e Caribe. O grande problema, segundo analistas, é o momento em que a presidente Cristina Kirchner resolveu levantar de novo a questão. Metida numa disputa com a imprensa e setores ruralistas, Cristina vive uma das mais graves crises políticas e econômicas de seu governo. Como alerta o ex-embaixador brasileiro em Buenos Aires José Botafogo Gonçalves, a iniciativa cheira à “velha estratégia de forjar um inimigo externo para ganhar popularidade”. E parece que hoje em dia, na América Latina, tanto melhor se esse inimigo for uma “potência imperialista” – como diz Chávez.

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