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E o Brasil com isso?: Caso chileno anima oposição brasileira

Ricardo Galhardo

27 de janeiro de 2010 | 17h39

A vitória do candidato de centro-direita nas eleições chilenas, Sebastián Piñera, animou a oposição no Brasil. A questão é que entre a realidade política dos dois países há um paralelo que o próprio Piñera encarregou-se de traçar em sua primeira entrevista para a imprensa internacional.

 “A presidente (Michelle) Bachelet é muito popular e o presidente Lula também. Mas uma coisa é a popularidade de um presidente e outra a necessidade de mudança (dos eleitores), como ficou demonstrado com tanta força no caso chileno”, disse Piñera, após afirmar que conhece o “projeto de mudança” da oposição brasileira.

A discussão sobre quais fatores determinam a transferência de votos de um presidente popular para seu candidato, que dominou a campanha no Chile, agora começa a ganhar força no Brasil. Segundo cientistas políticos, parte da dificuldade para essa transferência está relacionada ao fenômeno do personalismo: a população se identifica com líderes carismáticos, como Lula (mais de 70% de aprovação) ou Bachelet (mais de 80%), mas não necessariamente com seus partidos, projetos políticos – e aliados.

Num quadro como esse, ao menos dois fatores são determinantes. O primeiro é a força e carisma do candidato governista – já que uma figura “apagada” e com um discurso pouco empolgante pode acabar ofuscada pelo presidente. A segunda, a eficiência da oposição em apresentar propostas positivas e atraentes para a população ­­­- em vez de se concentrar sobre os ataques ao governo de turno (uma vez que esse é tão popular).

 Piñera soube aproveitar a crise da Concertação chilena. Afastou-se de setores pinochetistas e prometeu aumentar a eficiência do Estado chileno e cuidar da classe média, que sentia-se esquecida nos 20 anos dos governos de centro-esquerda. O discurso colou. No Brasil, a oposição parece ainda não ter definido sua estratégia.

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