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E o Brasil com isso?: Lula e as sanções ao Irã

Ricardo Galhardo

10 de fevereiro de 2010 | 20h14

O protagonismo do Brasil no debate sobre a imposição de novas sanções ao Irã cresceu, basicamente, por dois fatores:

Primeiro, o país ocupa hoje um dos 15 assentos no Conselho de Segurança da ONU. Não tem direito a veto, como os 5 membros permanentes, mas seu voto conta na hora de decidir sobre as novas sanções ao país (para que elas passem são necessários nove votos, sem nenhum veto dos membros permanentes).

Segundo, o governo brasileiro deu recentemente uma série de sinais políticos de apoio ao governo iraniano e tem defendido abertamente o diálogo com Teerã, quando EUA e Europa já não veem mais perspectiva de resultados por essa via. Até os chineses, que no fim das contas, podem de fato vetar as sanções (em nome de seus laços comerciais com Teerã) preferem a discrição.

Só para mencionar alguns exemplos desses sinais, Lula disse que as controversas eleições iranianas de junho foram limpas, quando as forças de segurança do país ainda reprimiam violentamente protestos nas ruas de Teerã e nem os aiatolás ousavam se pronunciar sobre o assunto.

No ano passado, ele recebeu uma visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quando defendeu que o Irã “tem o direito de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos” – após a própria AIEA (agência nuclear ligada à ONU) ter levantado a dúvida de que os fins de Teerã sejam mesmo pacíficos.

Ahmadinejad, obviamente, viu na visita uma forma de mostrar que não está isolado. “Mas afinal, o que o Brasil quer ganhar com isso?”, questionam, desde então, autoridades estrangeiras, sempre que o assunto é a política externa brasileira. E até agora, nenhum diplomata brasileiro conseguiu uma explicação convincente.

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