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E o Brasil com isso?: Lula e os cubanos “insanos”

Ricardo Galhardo

11 de março de 2010 | 00h57

O presidente Lula diz que não tem absolutamente nada a ver com  a greve de fome do dissidente Guillermo Fariñas para pedir a libertação de 26 presos políticos cubanos doentes. E também tentou ignorar a morte de Orlando Zapata,  após 85 dias de greve de fome, justamente quando o líder brasileiro chegou a Havana para encontrar-se com Fidel e Raúl Castro, em fevereiro.  Mas as suas desastradas declarações na terça-feira desataram uma enorme polêmica interna e consternação em muitos países.

“Greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação”, afirmou Lula, comparando os presos políticos cubanos, que pedem mais liberdade e democracia na ilha, com criminosos como o traficante Fernandinho Beira-Mar, o líder do PCC Marcola ou um assassino serial como o maníaco do parque.

O presidente também condenou a greve de fome dos cubanos dissidentes como uma “insanidade” e pediu respeito às decisões da Justiça cubana. Os dissidentes insistem em pedir-lhe ajuda para libertar os presos políticos. Ontem tentaram enviar mais uma vez uma carta ao presidente brasileiro, mas a Embaixada em Havana não protocolou o documento, por falta de assinaturas. “Estamos muito decepcionados com Lula”, disse a porta-voz de Fariñas, Licet Zamora. “Ele só pode estar louco em comparar presos políticos com criminosos comuns. Já ajudaria se ficasse calado.”

As declarações do presidente, segundo analistas, chamam a atenção pela incoerência. “O governo Lula não se importou em contestar a decisão da Justiça italiana ao se opor à extradição de Cesare Battisti”, diz o cientista político José Augusto Guilhon de Albuquerque, da USP.

“Esse episódio contribui para aumentar as suspeitas nos EUA e em outros países sobre Lula, que já estavam crescendo por causa do apoio ao Irã”, diz o cubano Carlos Alberto Montaner. “O presidente brasileiro costumava ser exaltado como um líder moderado. Hoje a decepção com ele está crescendo  –  ao menos no que diz respeito à sua política externa.”

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