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E o Brasil com isso? Técnicos brasileiros ajudam a Venezuela a combater apagões

Ricardo Galhardo

03 de fevereiro de 2010 | 20h09

Um grupo de técnicos brasileiros ajudará o governo venezuelano a combater a crise energética. Uma política de racionamento tem deixado às escuras diversas regiões do país, às vezes por até oito horas por dia.

Na semana passada, o socorro brasileiro foi acertado em uma visita a Caracas do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. E, no início da semana, uma delegação venezuelana chegou à Brasília para expor o problema com detalhes. O objetivo da cooperação é aproveitar a experiência brasileira com grandes hidrelétricas para ajudar o país vizinho a aproveitar melhor sua capacidade energética.

Segundo autoridades de Brasília, parte do interesse brasileiro no caso está relacionado à Roraima, Estado abastecido com energia proveniente da hidrelétrica de Guri, na Venezuela. Roraima vinha recebendo uma carga de 100 MW dos venezuelanos. Depois do racionamento, passou a contar apenas com 80 MW.

Também preocupa o governo brasileiro a instabilidade no país vizinho – que poderá entrar para o Mercosul se receber o aval do Congresso paraguaio e no qual estão investidos cerca de US$ 15 bilhões em capitais brasileiros.

Os apagões, juntamente com a suspensão das transmissões da RCTV por cabo, estão motivando uma série de protestos na Venezuela. Chávez chegou a demitir um ministro que anunciou que o racionamento poderia atingir Caracas. E, se a capital ficar às escuras, as consequências políticas para o líder venezuelano (cuja popularidade já caiu para 46%) seriam imprevisíveis.

Na terça-feira, dias depois da saída do ministro, a agência estatal venezuelana anunciou, sem alarde, que Caracas, de fato, terá de reduzir seu consumo em 20%. Ou seja, o risco existe.

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