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Efeito Macron

Veja quais serão os possíveis impactos da eleição de Macron para diferentes áreas

Redação Internacional

08 de maio de 2017 | 19h57

Comércio
Além de um já previsto acordo de abertura do mercado europeu com o Japão, surgem no horizonte duas possibilidades para Macron defender o livre-comércio, ainda que demonstrando a tradicional sensibilidade francesa à ameaça das importações. A primeira é um projeto que reconhece a China como economia de mercado nos casos de comércio com a UE. A segunda é um plano para permitir que o bloco imponha tarifas mais altas a exportadores, como a China, quando seus mercados domésticos se provarem distorcidos.

Centrista derrotou extrema direita para chegar ao poder. Foto: Eric Feferberg/Reuters

Euro
O presidente eleito da França deve buscar dar um novo fôlego a antigas tentativas de reforçar o sistema bancário da zona do euro, por meio da partilha de riscos soberanos, incluindo a criação de um programa comum de garantia de depósitos – algo a que a Alemanha se opõe. É possível que ele também faça pressão por mais estímulos econômicos, por um orçamento comum da zona do euro e por um ministro das finanças especial para os 19 países da união monetária – ideias que também encontram resistência em Berlim.

Energia
Macron deve apoiar iniciativas europeias sobre energia limpa. Ele prometeu reduzir a poluição automotiva e dobrar a capacidade eólica e solar da França até 2022, uma expansão maior que a planejada por seu predecessor, François Hollande. Isso deve dar impulso a um projeto de lei europeu para aumentar a parcela de energia renovável na UE de 20% do consumo em 2020 para 27% em 2030. Deve impulsionar também uma futura proposta dos reguladores do bloco para reduzir as emissões de dióxido de carbono dos automóveis.

Defesa
O novo presidente é favorável a uma cooperação de defesa mais profunda na UE, algo a que o Reino Unido vinha resistindo, em razão da perceptível ameaça do papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos EUA. À medida que a influência britânica sobre a UE diminui com o Brexit, a França de Macron provavelmente aumentará os esforços europeus para destinar parte maior do orçamento a pesquisas de defesa, para fazer licitações em conjunto e dar à indústria armamentista mais acesso a financiamentos.

Sanções à Rússia
Macron provavelmente reforçará o front comum – e, às vezes, vacilante – da UE contra o Kremlin em razão da invasão da Ucrânia. Ele defendeu as sanções do bloco contra a Rússia, que já duram três anos, criticou Vladimir Putin e alegou ter sido alvo de ciberataques russos. Em janeiro de 2016, então ministro da Economia, Macron teria aventado a possibilidade de um cronograma para levantar as sanções. Ele endureceu o discurso durante a campanha, quando se viu cercado por candidatos que buscavam aproximação com Putin.

Brexit
O presidente eleito pretende se alinhar à posição dos 27 parceiros da União Europeia, evitando declarações sobre a relação britânica com o bloco até se faça suficiente avanço nos termos do divórcio, incluindo o projeto de lei que o Reino Unido ainda deve aprovar. É provável que ele mantenha a linha relativamente dura da França, a qual acredita que devem ser altas as exigências para o começo de conversações paralelas com o governo de Londres sobre futuros laços comerciais com a União Europeia. / WASHINGTON POST