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EI abre ‘cinema ao ar livre’ em Mossul para mostrar ações do grupo

Jihadistas exibiram vídeos das decapitações de jornalistas reféns

Redação Internacional

23 de setembro de 2014 | 17h57

MOSSUL – O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) abriu um “cinema” ao ar livre para mostrar os vídeos das execuções que comete e aterrorizar os habitantes da cidade de Mossul, no norte do Iraque, que está sob o controle da organização extremista desde junho.

O “espetáculo” começou na semana passada, no meio das florestas situadas nas margens do rio Tigre, único lugar que as pessoas da cidade têm para descansar da repressão e das tensões causadas pela ocupação do EI.

Um grande número de jovens, crianças e famílias se aglomerou no local e esperou com impaciência para ver o programa que os extremistas haviam preparado. O evento começou com a abertura das cortinas, seguido de hinos religiosos que encorajavam as pessoas a se unirem à guerra.

Depois, os espectadores ficaram horrorizados ao ver que os vídeos mostravam cenas de diversos tipos de execuções protagonizadas pelo EI, entre elas degolamentos, decapitações e assassinatos de reféns.

O vídeo que mais impactou os espectadores, pela quantidade de sangue, foi a execução do jornalista britânico David Haines, decapitado por um homem encapuzado com uma faca.

“As cenas sangrentas que eu e minha família vimos são inacreditáveis. Meu filho pequeno, de quatro anos, me perguntou: ‘Papai, Por que esse homem decapta essa pessoa?’ O que escutei do meu filho me deixou sem palavras, não soube responder”, disse um morador de Mossul, identificado como Mohammed Sobhi Yaralá.

Para ele, o objetivo dos jihadistas com a exibição dos vídeos é “fazer a população entender que as decapitações, assassinatos e maus-tratos são as consequências para quem se opor ao grupo”.

Com os filmes, os combatentes do EI esperam que a população de Mossul mantenha “fresca” na memória a crueldade das ações que o grupo comete contra os inimigos.

A estratégia foi adotada após a formação de uma coalizão internacional liderada pelos EUA para lutar contra a organização. Na segunda-feira, o porta-voz do EI, Abu Mohamed al-Adnani, ordenou que os integrantes matassem cidadãos dos países participantes da aliança.

Para o sociólogo Emar Yafar, os métodos usados pelos jihadistas são uma tentativa de acostumar Mossul à maneira que o grupo atua há vários anos. “Recrutam crianças e mulheres para o mesmo projeto, que é o terrorismo que mostram nas telas, e também servirá para desacreditar a população sobre qualquer chance de recuperar a liberdade”, afirma Yafar.

O especialista considera que “o EI compreende que filmes desse tipo aumentam o terror no povo de Mossul e tiram o último fio de esperança que lhes resta; o objetivo da campanha é minar o lado psicológico dos jovens e adultos.”

O grupo também trasmite nas telas as operações militares feitas pelo EI em diversas regiões do Iraque. “Essa organização tenta ganhar o apoio dos habitantes para que eles se apresentem como voluntários e lutem com o grupo, especialmente os adolescentes e menores de idade, levando em conta a alta taxa de desemprego em Mossul em razão do cerco imposto à cidade”, conclui Hashem.

Na campanha do terror dirigida à população local, os jihadistas abriram recentemente centros de informação em muitas zonas de Mossul, especialmente nas mais populosas, diz o ativista Mohamed Hashem.

Esses pontos são administrados por três ou quatro pessoas que distribuem comunicados e instruções do chamado Tribunal Islâmico, criado pelo grupo para a implantação de sua versão do Islã. / EFE

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