As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Empresários cubanos aproveitam brecha na lei e investem em cinemas 3D

Redação Internacional

30 de outubro de 2013 | 17h45

HAVANA – Empresários cubanos têm investido, silenciosamente, em novos modelos de negócio no país: os cinemas 3D e salas de jogos com videogames. A brecha surgiu com a nova legislação cubana, decorrente da série de reformas promovidas pelo presidente Raúl Castro desde o início do seu mandato, em 2008.

Leia também:
Cuba dá primeiro passo para pôr fim a câmbio duplo e adotar moeda única   
O peso cubano conversível  

Os empreendedores trabalham com uma ambiguidade nas leis para transformar cafés e espaços de entretenimento para crianças em iniciativas não previstas pelas recentes aberturas na economia cubana.

No domingo 27, autoridades cubanas disseram que o governo está pensando em formas de regulamentar o setor, que cresceu muito para ser ignorado – anúncio espalhou temor entre os comerciantes. “Não temos informações concretas sobre se eles vão permitir ou não, mas até agora também não disseram que vão proibir”, disse o gerente de um cinema central de Havana, que pediu para não ser identificado.

[galeria id=8190]

Como esforço para rejuvenescer a economia cubana, Raúl Castro legalizou empreendimentos de pequena escala em pelo menos 200 áreas desde 2010. Mais de 400 mil empregos foram criados após a iniciativa, frequentemente acompanhada de regulamentações rígidas e altas taxas de impostos.

Salões para exibição de vídeos não são mencionados entre os empreendimentos autorizados, mas também não são explicitamente proibidos. Os proprietários trabalham com licenças de restaurantes ou lanchonetes. A combinação de sucesso e ambiguidade legal para esses estabelecimentos faz deles um verdadeiro enigma para o governo.

O especialista em empreendimentos privados em Cuba do Brookings Institution, Richard Feinberg, diz que no governo cubano há quem queira receber investimentos privados e quem mantenha posições mais tradicionais. “É uma competição fascinante que vai determinar o futuro de Cuba”, afirma.

Alguns “Cinemas 3D” cubanos não passam de uma sala de estar ou garagem com uma TV, um DVD player e um punhado de óculos 3D. Mas há também aqueles com aspecto profissional.

Aixa Suarez, uma ex-agente de compras do governo, passou a sustentar a família (pai, mãe e dois filhos) com um empreendimento parecido. Uma TV LG de 55 polegadas e um Xbox comprado na Flórida garantem um rendimento mensal maior do que o salário que ganhava. Mas, o que ela diz gostar mais é o senso de independência. “Eu não tenho um chefe, eu sou a chefe. E isso é o suficiente para mim.”

No cinema de padrão mais alto, no centro de Havana, o equipamento vale US$ 100 mil, e foi transportado para Cuba à mão, de voos que partiram do Canadá, onde o proprietário do espaço vive. Ingressos custam US$ 4 e dão direito uma bebida e pipoca. Os oito funcionários do local têm participação nos lucros da empresa./ AP

Tudo o que sabemos sobre:

CubaRaúl Castro

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.