Entenda a capacidade nuclear da Coreia do Norte
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Entenda a capacidade nuclear da Coreia do Norte

Saiba quais são os objetivos de Pyongyang e algumas das possíveis consequências do teste anunciado nesta quarta-feira

Redação Internacional

06 Janeiro 2016 | 12h47

A Coreia do Norte anunciou nesta quarta-feira, 6, ter realizado seu quarto teste nuclear, o primeiro com uma bomba de hidrogênio.

Saiba quais são os objetivos de Pyongyang e algumas das possíveis consequências segundo explicações de Crispin Rovere, especialista australiano em política nuclear, Toshimitsu Shigemura, professor da Universidade de Waseda e especialista em Coreia do Norte e Xie Yanmei, analista do International Crisis Group no norte da Ásia.

– A Coreia do Norte é uma potência nuclear?
Não, ao menos por enquanto, porque não demonstrou sua capacidade de equipar um míssil balístico com uma carga nuclear. Mas avança no campo tecnológico. Já havia realizado três testes nucleares, em 2006, 2009 e 2013, provavelmente com bombas de plutônio de baixo rendimento nos dois primeiros e de urânio no terceiro, neste caso talvez com um artefato miniaturizado. No quarto, o desta quarta-feira, afirma que se trata de uma bomba termonuclear de hidrogênio. Os especialistas têm suas dúvidas: dados sísmicos indicam que a explosão não é compatível com a provocada por uma bomba H.

Desenvolvimento de bomba de hidrogênio deve ser usado como trunfo por King Jong-un em congresso de seu partido, em maio

Desenvolvimento de bomba de hidrogênio deve ser usado como trunfo por King Jong-un em congresso de seu partido, em maio (Foto: REUTERS/KCNA)

– Qual é a capacidade balística de Pyongyang?
O foguete lançado em dezembro de 2012 e a colocação em órbita de um satélite (que não sobreviveu) foi essencial para o desenvolvimento de um míssil balístico intercontinental (ICBM), embora persistam os obstáculos técnicos. Os especialistas ressaltam que o foguete entrou no espaço mas não retornou à atmosfera seguindo uma trajetória de tiro contra um alvo terrestre. A Coreia do Norte demonstrou que podia enviar um foguete ao espaço, mas que era incapaz de fazê-lo voltar à Terra. Também estimam que levará muito tempo para poder introduzir uma carga nuclear em um míssil balístico intercontinental.

– Onde ocorreu o teste?
Assim como os anteriores, ocorreu nas instalações nucleares de Punggye-ri, em uma região isolada e montanhosa do nordeste do país, a 100 km da fronteira com a China e a 200 km da fronteira russa.
Os especialistas sul-coreanos estimam que a construção do complexo começou há mais de 20 anos. Satélites espiões o observam, pelo menos até as últimas semanas.

– Para que serve este quarto teste e por que agora?
O objetivo é, acima de tudo, mostrar ao mundo que a Coreia do Norte se dotou de tecnologia em seu programa de armas nucleares, com uma bomba de hidrogênio que fornece bastante potência graças à fusão nuclear, enquanto as anteriores se baseavam na fissão. Este teste é, na realidade, em preparação para um congresso do partido em maio. Até este momento Kim Jong-un não tinha grandes conquistas a exibir, mas agora pode se utilizar deste êxito que seu avô e seu pai, Kim Il-sung e Kim Jong-il, não puderam reivindicar. Kim Jong-Un considerou provavelmente que era o momento ideal porque os EUA estão ocupados em outros lugares (Síria, Iraque, Arábia Saudita e Irã) e o presidente chinês enfrenta dificuldades econômicas.

– Quais são as consequências internacionais?
O teste será analisado no exterior, mas é possível que pouco se saiba dele, para além da informação comunicada pelo regime norte-coreano. A China, principal interlocutora de Pyongyang, “enfrentará uma pressão crescente, ao mesmo tempo nacional e internacional, para punir e frear Kim Jong-un e para obrigá-lo a renunciar as suas armas nucleares. As relações com a Coreia do Sul também podem se ressentir e Seul pode se ver tentada, como o Japão, a reforçar seu arsenal legislativo e militar diante da ameaça representada pelo regime comunista norte-coreano. Os testes nucleares de mísseis anteriores foram condenados e punidos através de resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que se reunirá na quarta-feira. / AFP