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ENTENDA: Impunidade em dois atentados na Argentina

Terroristas destruíram embaixada de Israel em 1992 e AMIA em 1994

Redação Internacional

19 de janeiro de 2015 | 10h48

Ariel Palacios, correspondente / Buenos Aires

BUENOS AIRES – No dia 17 de março de 1992, às 14:45, uma camionete Ford-100 carregada de explosivos, dirigida por um motorista camicaze, estacionou na frente da embaixada de Israel, na rua Arroyo. Segundos depois, uma explosão destruiu totalmente o velho palacete Lastra, além de arrasar a fachada da escola primária Maters Admirabilis e a residência geriátrica que estavam na calçada da frente. No atentado – realizado a apenas dois quarteirões da embaixada do Brasil, morreram 29 pessoas, enquanto que outras foram 200 feridas.

O cogumelo de fumaça da explosão – a apenas 20 quarteirões da Casa Rosada, o palácio presidencial – pode ser visto desde vários pontos da cidade.

Às 9:53 horas do dia 18 de julho de 1994, na área do bairro de Balvanera informalmente conhecido como “Once”, outro atentado, realizado supostamente com uma camionete Trafic carregada de trotyl, destruiu a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), provocando a morte de 85 pessoas, além de 300 feridos, transformando-se no maior atentado realizado na História da América Latina.

Nenhum grupo terrorista assumiu oficialmente a autoria dos dois atentados. No entanto, a Justiça argentina acusa o governo do Irã de ter organizado o ataque da Amia em conjunto com o Hezbollah. Além disso, haveria uma conexão argentina, hipoteticamente formada por integrantes da Polícia Bonaerense e de grupos cara-pintadas (militares que protagonizaram rebeliões nos quartéis nos anos 80).

Em 2006, a Argentina solicitou à Interpol a captura internacional de diversos iranianos que integravam o governo de Ali Akbar Rafsanjani, presidente do Irã na época dos dois atentados. Entre as figuras que a Justiça em Buenos Aires quer colocar no banco dos réus pela acusação de organizar o ataque contra a Amia está Ahmad Vahidi, que em 1994 ocupava o posto de comandante da Força Quds e que posteriormente foi ministro da Defesa do governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Nos anos 1990, a Argentina era considerada um alvo fácil para um ataque terrorista, devido à baixa vigilância de suas fronteiras. Além disso, era um alvo interessante para o terrorismo fundamentalista, já que possui a maior comunidade judaica da América Latina.

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