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Escândalo sexual abala Fatah

Ricardo Chapola

16 de fevereiro de 2010 | 11h00

Abbas rapidamente afastou Husseini, que aparece no vídeo (Foto: The Guardian)

Após décadas de disputa com Israel e, mais recentemente, com o rival islâmico Hamas, o grupo palestino fundado por Yasser Arafat, o Fatah, foi confrontado na semana passada com uma nova ameaça. Um suposto vídeo de Rafiq Husseini, um dos principais assessores do presidente Mahmoud Abbas, comprovaria que o funcionário exigiu favores sexuais de uma mulher que buscava emprego na Autoridade Palestina (AP). “Devo eu apagar a luz ou você apaga?”, questiona na gravação o homem identificado como Husseini, depois de se despir e deitar na cama.

O escândalo sexual não deve ficar restrito às páginas de fofoca dos jornais de Ramallah, Gaza e Tel-Aviv. Extremamente conservadora, a sociedade palestina condena de maneira veemente esse tipo de desvio de conduta e o episódio ameaça erodir ainda mais a legitimidade do governo de Abbas, que luta para evitar que o Hamas enterre de vez sua hegemonia histórica sobre a política palestina.

A AP prontamente afastou Husseini e Abbas disse que montará uma comissão para investigar as alegações de que seu assessor usava o cargo para conseguir favores sexuais. Ele teria também enviado mensagens de texto para uma mulher com propostas indecentes. O homem-forte que virou réu disse que a gravação é uma conspiração de membros da AP e de Israel para tirá-lo de cena.

Denúncias mais brandas de abusos, como fotos de funcionários palestinos de mãos dadas com mulheres, já haviam atingido a AP e chocado a conservadora sociedade palestina. Agora, porém, as “provas” têm um apelo inédito. Do outro lado da fronteira, a política israelense também já foi abalada por escândalos sexuais. Em 2007, por exemplo, o então presidente de Israel, Moshe Katsav, teve de renunciar depois que a Justiça de Israel começou a investigar denúncias de que ele havia abusado de estagiárias.

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