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Espaço acadêmico: a China, o Irã e as sanções

Ricardo Chapola

21 de fevereiro de 2010 | 00h02

Ahmadinejad cumprimenta Hu Jintao em Paquim (Fonte: Nova China)

Ahmadinejad cumprimenta Hu Jintao em Pequim (Fonte: Nova China)

A China continuará a ser, no curto prazo, uma pedra no sapato dos esforços da diplomacia americana e europeia para emplacar uma quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança da ONU ao Irã. Mas, ao fim, subirá no barco. Pragmática, a diplomacia chinesa coloca como objetivo final da barganha nuclear a preservação, pelo menos parcial, de seus grandes interesses estratégicos no Irã, terceiro fornecedor de petróleo a Pequim. Não quer arriscar a relação com os EUA, tampouco com a União Europeia, por causa do Irã. Contudo, tem bilhões investidos no setor de energia iraniano, além de um mercado preferencial para seus produtos manufaturados. O verdadeiro braço-de-ferro diplomático, portanto, é sobre os termos das novas sanções: contra quem serão as medidas, com quais objetivos e contrapartidas.

O cenário acima foi traçado pelo Crisis Group, prestigiado centro de pesquisa na área de segurança internacional. Trata-se, claro, de uma previsão. Mas está amparada nos principais estudos feitos recentemente sobre a relação China-Irã, o novo nó na negociação internacional para impor mais sanções ao programa nuclear iraniano.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad enfureceu os EUA e Europa ao enterrar de vez, há três semanas, uma proposta de acordo. Segundo a oferta, Teerã trocaria urânio por material nuclear produzido fora do país persa. Até o Brasil foi citado como potencial depositário, mesmo sem ter atualmente capacidade técnica para fazê-lo. Desde lá, o Irã começou a enriquecer urânio a 20% sem o acompanhamento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Ahmadinejad ameaçou elevar o patamar a 80%. Para uma bomba, é preciso de 90% de enriquecimento.

O endurecimento de Teerã teve resposta. E a mais significativa não veio dos EUA, mas da Rússia. Moscou, que ajudou a construir a usina nuclear iraniana de Bushehr, está dando sinais de que apoiará medidas suplementares contra o Irã. O governo Barack Obama já adotou novas restrições unilaterais contra a Guarda Revolucionária do Irã, sustentáculo armado do regime, e presume-se que levará ao Conselho de Segurança propostas semelhantes contra a instituição iraniana. Será que a China vetará?

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