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Espaço acadêmico: a crise (?) Israel-EUA

Ricardo Chapola

22 de março de 2010 | 18h09

Netanyahu e Obama na Casa Branca (Fonte: CBS)

Netanyahu e Obama na Casa Branca (Fonte: CBS)

Parece que não são apenas os bastidores da diplomacia americana e israelense que se incendiaram com a recente polêmica envolvendo a “aliança especial” de Washington e Tel-Aviv. Desatada depois que Israel anunciou uma nova leva de construções em Jerusalém Oriental justamente quando desembarcava no país o vice de Obama, Joe Biden, a controvérsia acabou engolfando também especialistas de think-tanks (centros de pesquisa) americanos, que iniciaram um tiroteio sobre como interpretar o mal-estar entre os aliados.

Curiosamente, o debate na torre de marfim parece ter descambado para a discussão do copo d’água: alguns o veem meio cheio; outros, meio vazio.

Quem fala em “crise” entre Israel e EUA defende, com razão, que os termos usados pela Casa Branca para criticar a expansão israelense (a secretária de Estado Hillary Clinton chegou a falar que a ação israelense era um “insulto”) foram extraordinariamente fortes e seriam impensáveis há dois anos, sob a presidência de George W. Bush. Os que negam se tratar de uma crise real argumentam que, nem com o tal “insulto” israelense, americanos foram capazes de enquadrar o governo de Binyamin “Bibi” Netanyahu. Ninguém na Casa Branca questionou, por exemplo, os US$ 2,6 bilhões anuais que os EUA dão a Israel – nem para pressionar israelenses a rever sua política de assentamentos.

Como na discussão do copo d’água, as duas versões correspondem aos fatos. Americanos não costumam falar tão grosso com israelenses, mas a “aliança especial” em nenhum momento foi colocada em questão.

Nesse contexto, o think-tank Council on Foreign Relations teve a iniciativa de promover um debate online entre quatro de seus especialistas em Oriente Médio. Há pessoas como Elliot Abrams, próximo do governo Bush filho e tido como neo-conservador, ou como Steven Simon, mais a cara das fileiras moderadas do Partido Democrata. (Destaque para as opiniões de Leslie Gelb, ex-correspondente do New York Times que atuou ao lado de Robert McNamara na administração Kennedy)

Como era de se esperar, os analistas discordam em basicamente de tudo. Tem um que diz que o mal-estar prova de uma vez por todas que americanos e israelenses têm objetivos distintos na região, outro que culpa o gabinete direitista no poder em Israel, outro ainda que reclama da pressão de Obama sobre o aliado. A enxurrada de argumentos, porém, é uma aula sobre relações Israel-EUA. Vale a pena ler.

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