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Espaço acadêmico: ‘Al-Qaeda virtual’ está morrendo

Ricardo Chapola

28 de março de 2010 | 02h17

Bin Laden em vídeo na internet

Na semana passada, Osama bin Laden divulgou um novo pronunciamento na internet. Em linhas gerais, foi mais do mesmo: Israel deve acabar, americanos e “infiéis” morrerão, o jihadismo prevalecerá, banhos de sangue ocorrerão no Iraque e Afeganistão, bla-bla-bla. Mas tinha algo novo no discurso. Pela primeira vez, o líder da Al-Qaeda decidiu debater a questão ambiental. O aquecimento global é realmente dramático, concordou o mentor do 11 de Setembro. Culpa dos poderosos países industriais, concluiu em seguida. Claro, Bin Laden aproveitou para dar uma bordoada em Bush, que “se recusou a ratificar o Protocolo de Kyoto” (na verdade os EUA assinaram o documento, mas ele não passou no Congresso).

Depois de desferir o maior ataque contra os EUA desde Pearl Harbour, a Al-Qaeda virou um fenômeno midiático. Como aponta um estudo interessante do New America Foundation publicado na semana passada, o grupo que fez a maior potência da história declarar uma “guerra ao terror” global, foi incapaz de repetir ataques da dimensão dos de setembro de 2001 e teve de recorrer ao universo da comunicação como último recurso. E, mesmo lá, está tendo dificuldades.

Conhecida como As-Sahab, a “assessoria de comunicação” da Al-Qaeda parece ter se desintegrado do grupo terrorista, conclui a New America. A unidade não pode ser mais considerada parte da Al-Qaeda e faz pronunciamentos recorrentes sobre outros grupos, como o Taleban afegão e paquistanês. Na contra-mão, outros grupos terroristas têm se referido menos à Al-Qaeda, preferindo citar apenas a pessoa Bin Laden.

Outra má notícia para a parte de relações públicas jihadista é que os fóruns virtuais de debate, locais nos quais a ideologia do terror é amplamente difundida, estão mais escassos. Seriam menos de dez os participantes ativos desses fóruns no mundo todo, calcula o estudo.

As conclusões do New America deveriam tirar o sono de Bin Laden: “A mudança virtual da Al-Qaeda sugere uma redução gradual de suas pretensões globais.”

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