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O ópio da guerra

Ricardo Chapola

20 de dezembro de 2009 | 19h35

 

Escritório de combate às drogas e crime da ONU publica

imagem do jornal britânico Telegraph

imagem do jornal britânico Telegraph

 As notícias da campanha dos EUA e de seus aliados contra o Taleban não têm sido boas. O número de baixas nunca foi tão alto, os insurgentes ampliaram seu controle sobre o país com apoio do lado paquistanês da fronteira, o governo Hamid Karzai – reeleito na base da fraude – não tem legitimidade entre a população. Mas eis que surge um estudo interessante que dá margem a um (relativo) otimismo.

Segundo o escritório da ONU que monitora o crime e o narcotráfico, o UNDOC, o cultivo da papoula caiu 22% em 2009. A produção do ópio também sofreu queda, de 10% (em números absolutos, 7 mil toneladas…). O número de pessoas envolvidas no mercado da droga teria recuado, assim como as províncias “livres” da papoula.

O documento defende que a “mão invisível do mercado” teria jogado um papel importante na melhora dos indicadores. Os lucros que produtores têm com o ópio supostamente caiu e um excesso de produção fez com que o produto deflacionasse. Isso, combinado ao combate da Otan aos campos de produção, teria surtido algum efeito. Mas, repita-se, o otimismo deve ser relativo. Com toda campanha, um quarto do atual PIB do Afeganistão ainda vem do ópio.

A produção da droga no país ganhou força com o fim da ocupação da URSS, em 1989. Nos dez anos que passaram no Afeganistão, os soviéticos foram capazes de manter um relativo controle sobre as cidades, enquanto o campo era dominado pela insurgência – ironicamente, uma situação similar à de hoje com a Otan. “Por isso, a URSS promoveu uma destruição indiscriminada da área rural, acabando com os meios de subsistência”, explica Vanda Felbab-Brown, uma das maiores especialistas no assunto, professora da Universidade Georgetown. Com o campo aos cacos, agricultores que antes limitavam a produção da papoula encontraram na planta a única saída para sobreviver. E a droga proliferou.

Desde a invasão de 2001, o hiper-ultra-fundamentalista Taleban – que proibiu o cultivo da papoula quando governou o Afeganistão – primeiro adotou uma posição pragmática. Para não perder apoio local, fazia vista grossa à droga. Depois, entendeu que do narcotráfico pode jorrar dinheiro. Hoje, os militantes islâmicos estão envolvidos em praticamente todas as etapas da produção do ópio, afirma Vanda.

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