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Esportistas, artistas e intelectuais tomam partido sobre plebiscito na Catalunha

Antonio Banderas pediu "respeito à lei e ao Estado de direito" e o Nobel Adolfo Pérez Esquivel se pronunciou a favor do direito de decidir 

Redação Internacional

29 Setembro 2017 | 05h00

Fora da política, personalidades de horizontes muito diversos se pronunciaram nas últimas semanas sobre o plesbiscito de independência convocado no domingo na Catalunha e proibido pela Justiça espanhola. Conheça suas posições:

A favor do direito de decidir

Várias celebridades defendem a organização de um plebiscito, acordado ou não com o Estado espanhol para que os catalães se pronunciem sobre seu futuro.

O ex-jogador de futebol Pep Guardiola, capitão e treinador do Barcelona, está na lista eleitoral da coalizão independentista que ganhou as últimas eleições regionais na Catalunha Junts pel Sí (Juntos pelo Sim).

O ator americano Viggo Mortensen, que fala catalão e é casado com a atriz Ariadna Gil, de Barcelona, declarou: “Que votem. É um erro que o governo não faça como o Reino Unido com a Escócia” – ou seja, autorizar um referendo de autodeterminação vinculante.

O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, ajuda o grupo pró-independência a gerir seu site e escreveu em um tuíte que “o povo catalão tem direito à autodeterminação”.

Gérard Piqué, jogador catalão do Barcelona e campeão do mundo pela Espanha, disse que está “totalmente de acordo com o direito de decidir dos catalães”. Ele nunca tomou partido abertamente pela independência, apesar de nesta quinta-feira ter publicado um tuíte de apoio à consulta, com a mensagem “Votarem” (votaremos, em catalão).

Outras pessoas adotaram uma posição similar, assinando o manifesto “Deixin votar els Catalans” (Deixem os Catalães Votarem), que pede um entendimento entre as autoridades espanholas e catalãs, a fim de organizar uma consulta vinculante e com garantias.

Entre os signatários, está a guatemalteca Rigoberta Menchú, prêmio Nobel da Paz de 1992, Ken Loach, diretor do filme “Terra e Liberdade” (uma adaptação de “Lutando na Espanha”, de George Orwell), a artista Yoko Ono e Ignacio Ramonet, ex-diretor do Le Monde Diplomatique.

O americano Edward Snowden, que revelou o esquema de espionagem da NSA, também se pronunciou em favor do direito de decidir, assim como o argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980.

Contra o referendo de 1 de outubro

Há também o ponto de vista dos que não querem este referendo, imposto por uma lei que não foi profundamente debatida no Parlamento catalão e é contrária à Constituição.

“Acredito que o de 1º de outubro não deveria ocorrer porque, pelo meu ponto de vista, cada um tem de respeitar as leis, e há leis que são como são”, declarou o tenista Rafael Nadal, nascido na Ilha de Mallorca.

Outras figuras assinaram o manifesto “1-O Estafa Antidemocrática”, entre elas os catalães Juan Marsé, romancista que ganhou o Prêmio Cervantes em 2008, e Isabel Coixet, cineasta vencedora de quatro prêmios Goya, que denuncia uma “visão ingênua do plebiscito”. A atriz Marisa Paredes, uma das musas de Pedro Almodóvar, também assinou.

O ator de Málaga Antonio Banderas pediu, no fim de semana passado, “respeito à lei e ao Estado de direito”.

Outras personalidades se opõem diretamente à independência da Catalunha, uma região que representa 19% do PIB espanhol e 16% da população do país.

O Nobel de Literatura hispano-peruano Mario Vargas Llosa insiste no “perigo” deste projeto político, que, caso seja bem sucedido, transformaria a Catalunha “numa nova Bósnia”.

O prêmio Cervantes Eduardo Mendoza, barcelonês, teme um “risco de empobrecimento”, e o dramaturgo Albert Boadella não para de atacar o “ultranacionalismo”. / AFP