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Estratégia do Estado Islâmico por trás da destruição de Palmyra

Ações do grupo extremista na cidade histórica ganharam a atenção da mídia, o que permitiu aos jihadistas ampliar sua mensagem e expandir sua capacidade de recrutamento

Redação Internacional

30 de março de 2016 | 11h05

Forças do governo sírio, com a ajuda de ataques aéreos russos, retomaram o controle de Palmyra do grupo jihadista Estado Islâmico no domingo. Especialistas agora estão avaliando os danos aos monumentos e artefatos da cidade histórica. Os extremistas destruíram muitos sítios arqueológicos enquanto se expandiam ao longo do Iraque e da Síria, saquearam alguns artigos para obterem lucro e danificaram vários outros para ganhar atenção da imprensa.

Imagens do interior do Museu de Palmyra mostram evidências de que os militantes do Estado Islâmico “realizaram atos de destruição deliberada das esculturas”, disse Michael D. Danti, professor de arqueologia na Universidade de Boston. Ele acrescentou que os danos foram profundos, “com alguns monumentos em boas condições e outros em um estado pior do que o esperado”.

O Estado Islâmico colocou minas ao redor dos templos de aproximadamente 2 mil anos em junho de 2015, segundo um relatório do Observatório Sírio para Direitos Humanos. Os militantes, então, destruíram o Templo de Baal, dedicado ao deus Baal, entre outros.

Os extremistas controlavam a região desde maio de 2015 e, em um programa de rádio transmitido na época, um líder do Estado Islâmico na cidade anunciou que as ruínas romanas não seriam danificadas.

Cinco meses depois, Charlie Winter, um pesquisador da Fundação Quilliam – especialista em movimentos jihadistas -, disse que o Estado Islâmico pode ter mais chances de demolir estruturas antigas em Palmyra enquanto as forças do governo sírio tentarem se aproximar da cidade.

O Estado Islâmico afirmou que os objetos de valor histórico e sítios destruídos eram uma heresia à ideologia do grupo, centrada no wahhabismo. Em Palmyra, por exemplo, o grupo explodiu duas tumbas históricas por considerá-las formas de idolatria.

Em março de 2015, os extremistas publicaram vídeos em que mostravam os militantes atirando e destruindo Hatra e Nimrud, sítios antigos no norte do Iraque. A sequência dramática de fatos ganhou a atenção da mídia, o que permitiu ao grupo ampliar sua mensagem e expandir potencialmente sua capacidade de recrutamento. /NYT

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