EUA estudam ampliar restrições à imigração e acelerar deportações
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EUA estudam ampliar restrições à imigração e acelerar deportações

Textos de dois novos decretos buscam dificultar o processo para concessão de vistos de trabalho para estrangeiros e facilitar a expulsão de imigrantes que dependam dos programas de ajuda do governo

Redação Internacional

31 Janeiro 2017 | 21h30

WASHINGTON –  O governo do presidente americano, Donald Trump, estuda a emissão de dois novos decretos com o objetivo de “preservar empregos americanos”, o que pode dificultar ainda mais a entrada de imigrantes nos Estados Unidos. Os textos dos projetos, obtidos pelo jornal Washington Post, pretendem endurecer o procedimento para conceder vistos de trabalho para estrangeiros que trabalham nos EUA.

Também ampliam a possibilidade de deportar imigrantes que já vivem nos EUA, com a alegação de que eles dependem excessivamente de ajuda de programas do governo. Os textos não especificam nacionalidades visadas.

LOS ANGELES, CA - JANUARY 31: Protesters hold signs during a demonstration against U.S. President Donald Trump outside the office of Sen. Dianne Feinstein (D-CA) on January 31, 2017 in Los Angeles, California. Hundreds of protesters staged a demonstration outside Feinstein's office to demand that Congress refuse confirmation of President Trump's cabinet picks.   Justin Sullivan/Getty Images/AFP == FOR NEWSPAPERS, INTERNET, TELCOS & TELEVISION USE ONLY ==

Manifestantes em Los Angeles pedem respeito aos refugiados. (Foto: Justin Sullivan/AFP)

Os esboços dos decretos circulam entre membros do governo, mas ainda não está claro se o presidente decidiu implementá-los com a redação atual. Se adotados sem alterações, os decretos restringirão de maneira significativa todos os tipos de imigração e viagens de estrangeiros para os EUA, aumentando as barreiras impostas na semana passada pela ordem que vetou a entrada de refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana do Oriente Médio e Norte da África.

Enquanto o decreto da sexta-feira se concentrava em justificativas de segurança nacional e de antiterrorismo, os esboços em discussão têm foco na promessa de Trump de proteger os trabalhadores americanos da concorrência externa. Membros do governo responsabilizam imigrantes por consumir recursos do governo federal e dizem que eles são responsáveis pelo desemprego.

“Nossas leis de imigração são feitas para proteger os contribuintes americanos e promover um imigrante autossuficiente. Ainda assim, lares chefiados por imigrantes ilegais têm maior probabilidade que os cidadãos americanos de usar benefícios públicos do governo federal”, diz o primeiro texto, que não apresenta dados que comprovem a afirmação de que os ilegais de fato consomem mais recursos federais em programas de bem-estar social.

Além disso, ainda segundo o texto, o governo procuraria vetar a admissão de qualquer imigrante que possa se tornar um fardo para o Tesouro e buscar meios de determinar se um imigrante pode ser deportado após cinco anos recebendo auxílio do governo.

O segundo decreto pede a eliminação de “ímãs trabalhistas” que, segundo o governo, têm aumentado o índice de imigração para os EUA. O decreto limitaria a concessão de qualquer visto de trabalho para estrangeiros que não se enquadrem no interesse nacional ou violem leis de imigração.

Juntas, as ordens têm como objetivo dar prioridade a cidadãos americanos no mercado de trabalho. Apesar das alegações dos decretos de que o emprego irregular de imigrantes tem um efeito devastador nos empregos e salários dos americano, não há fatos que o corroborem, segundo especialistas.

Economistas que estudam a questão da imigração dizem que o processo é positivo para economia, mesmo quando os recém-chegados não têm formação superior.

“O consenso na literatura econômica é que imigrantes adicionam mais vagas à economia do que eles tiram”, disse Alex Nowrasteh, do Instituto Cato, um centro de estudo liberal americano. / WASHINGTON POST

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