EUA já reduziram assistência financeira para países da América Central
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EUA já reduziram assistência financeira para países da América Central

Apesar de ter se comprometido a financiar a Aliança para a Prosperidade no Triângulo Norte da América Central, Washington reduziu a verba para programas gerais de assistência de US$ 750 milhões, em 2016, para US$ 615 milhões, em 2018

Redação Internacional

22 de outubro de 2018 | 16h41

SAN JOSÉ, COSTA RICA – A ajuda dos Estados Unidos para El Salvador, Guatemala e Honduras, países afetados pela violência e pela pobreza que causam ondas migratórias, caiu nos últimos anos, segundo dados do governo americano e de uma organização civil.

O declínio ocorreu apesar do compromisso assumido por Washington em 2017 de financiar a Aliança para a Prosperidade no Triângulo Norte da América Central, com um pedido de US$ 750 milhões de dólares em ajuda bilateral e regional.

Imigrantes da América Central descansam em estrada na cidade mexicana de Metapa, no Estado de Chiapas (Pedro Pardo / AFP)

Imigrantes da América Central descansam em estrada na cidade mexicana de Metapa, no Estado de Chiapas (Pedro Pardo / AFP)

Este tema voltou a ser relevante depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou o corte da ajuda econômica para Guatemala e Honduras em razão de uma caravana de imigrantes que se dirige para o território americano.

A ONG Escritório de Washington para a América Latina (WOLA, em inglês), que monitora a assistência para a América Central, destacou que a ajuda para toda a região em 2016 foi de US$ 750 milhões em ações coordenadas por várias agências e de US$ 42,25 milhões em programas do Departamento de Defesa.

Em 2017, caiu para US$ 655 milhões em programas gerais de assistência, enquanto que os valores para Defesa subiram para US$ 42,40 milhões.

Neste ano, segundo a WOLA, a ajuda voltou a cair e chegou a apenas US$ 615 milhões, sem incluir os dados do Departamento de Defesa. Nos últimos três anos, os países do Triângulo Norte foram os principais receptores de ajuda na América Central.

Honduras

No caso de Honduras, de onde saiu a caravana de imigrantes que preocupa Trump, a ajuda americana foi de US$ 209,2 milhões em 2016 e caiu para US$ 181,7 milhões no ano seguinte. A WOLA não tem dados sobre a contribuição em 2018.

Os principais programas financiados pela ajuda americana no país em 2017 foram nas áreas de segurança, justiça e prevenção de violência (US$ 65 milhões); seguido de programas de crescimento econômico e desenvolvimento (US$ 54,5 milhões), fronteiras e controle de drogas (US$ 30,26 milhões) e governabilidade, transparência e direitos humanos (US$ 31,5 milhões).

A ajuda americana é relevante para Honduras, um país com um orçamento anual de cerca de US$ 9,7 bilhões, segundo o projeto de lei aprovado pelo Congresso para 2018.

A pobreza no país afeta 68% da população de 9,1 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas. O país também apresenta elevado índice de violência: 43 homicídios para cada 100 mil habitantes, segundo o Observatório da Violência da Universidade Nacional.

Guatemala

Na Guatemala, outro país ameaçado por Trump com o corte da ajuda, a assistência americana passou de US$ 254,3 milhões em 2016 para US$ 177,8 milhões em 2017, segundo a WOLA.

O programa que recebeu mais ajuda americana em 2017 foi o de crescimento econômico e desenvolvimento (78,66 milhões), seguido de segurança e prevenção de violência (US$ 46,8 milhões), fronteiras e controle de drogas (US$ 28,8 milhões) e governabilidade, transparência e direitos humanos (US$ 22 milhões).

Com um orçamento de US$ 11 bilhões autorizado pelo Congresso para 2018, a Guatemala tem um índice de pobreza de 60% em uma população de 16,5 milhões, segundo Banco Mundial.

A isso, se agrega o dado de 4.4100 homicídios no país, segundo a Polícia Nacional Civil, colocando a taxa em 26,1 para cada 100 mil habitantes.

El Salvador

El Salvador é o menor país e o que recebe menos assistência americana no Triângulo Norte da América Central: US$ 153,1 milhões em 2016, que caiu para US$ 149 milhões em 2017.

A assistência de 2017 se concentrou em segurança e prevenção de violência (US$ 35,36 milhões), seguido por fronteiras e controle de drogas (US$ 22,23 milhões), governabilidade, transparência e direitos humanos (11,77 milhões) e crescimento econômico e desenvolvimento (US$ 3 milhões).

El Salvador, com uma economia dolarizada, tem um orçamento de US$ 5,46 bilhões, segundo o portal de Transparência Fiscal do governo.

Dados da ONU indicam que 33% dos lares salvadorenhos viviam na pobreza em 2017 – algo como 6,2 milhões de habitantes. Neste mesmo ano, o país registrou 21,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, segundo a Polícia Nacional Civil. / AFP

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