Ex-estrela japonesa da luta livre trabalha em prol do diálogo com Pyongyang
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Ex-estrela japonesa da luta livre trabalha em prol do diálogo com Pyongyang

Antonio Inoki, que já viajou à Coreia do Norte mais de 30 vezes para organizar eventos esportivos e promover aproximação com o Japão, diz que regime de Kim Jong-un está sempre aberto a propostas de diálogo e a visitas de delegações estrangeiras

Redação Internacional

15 Setembro 2017 | 14h33

TÓQUIO – A ex-estrela japonesa da luta livre e agora senador, Antonio Inoki, tem se destacado como o maior defensor do diálogo com a Coreia do Norte, país que visitou em mais de 30 ocasiões para organizar eventos esportivos e promover uma aproximação com o Japão.

Este carismático personagem iniciou sua carreira política em 1989, sem ter abandonado os ringues, e desde então viaja com frequência à Coreia do Norte com o objetivo de “manter as portas abertas” e “incentivar o intercâmbio cultural e esportivo”, segundo disse recentemente em um encontro com jornalistas em Tóquio.

O ex-lutador e senador japonês, Antonio Inoki, já visitou a Coreia do Norte mais de 30 vezes e defende o diálogo com regime de Kim Jong-un (Kazuhiro Yokozeki/The New York Times)

O ex-lutador e senador japonês, Antonio Inoki, já visitou a Coreia do Norte mais de 30 vezes e defende o diálogo com regime de Kim Jong-un (Kazuhiro Yokozeki/The New York Times)

Seus contatos com o país foram facilitados por seu mentor, o mítico lutador de origem coreana Rikidozan (1924-1963), a quem conheceu durante uma exibição em São Paulo, onde Inoki morava desde que sua família emigrou após a 2ª Guerra.

Em suas múltiplas visitas a Pyongyang, organizou competições com lutadores de diversos países e para grandes públicos – em 1995 chegou a reunir 190 mil espectadores no estádio Primeiro de Maio Rungrado -, e teve reuniões com funcionários do alto escalão do regime liderado por Kim Jong-un.

“A Coreia do Norte está sempre aberta a propostas de diálogo e a visitas de delegações estrangeiras”, afirmou Inoki, que retornou recentemente de sua última viagem em um momento de alta tensão por conta do sexto teste nuclear norte-coreano e das novas sanções internacionais.

Inoki tenta há anos impulsionar a viagem de um grupo de parlamentares do Japão ao país vizinho, uma iniciativa “cheia de obstáculos”, dada a relutância do primeiro-ministro Shinzo Abe, embora acredite que “uma parte cada vez maior da sociedade japonesa é partidária do diálogo”.

O político e ex-lutador de 74 anos, uma figura muito querida em seu país, observa semelhanças entre um combate sobre o ringue e a atitude de Kim Jong-un e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Vemos como os líderes levantam cada vez mais seus punhos um diante do outro. Não importa quem tenha começado o confronto, a questão agora é quem será capaz de diminui-lo antes”, destacou Inoki, que quer que o Japão seja mediador do diálogo “por ter sido o único país do mundo atacado com a bomba atômica”.

Desde os tempos de lutador, Inoki mantém boa parte de suas características marcantes, como o inseparável cachecol vermelho – antes entrava no ringue com uma toalha da mesma cor – e seu grito de combate “Ichi, ni, son, daa!” (“Um, dois, três, daa!), que lança a cada vez que faz alguma aparição pública, acompanhado de uma canção composta especialmente para ele.

O agora senador, cujo nome real é Kanji Inoki, adotou como apelido o nome do ex-lutador ítalo-argentino Antonino Rocca, e devido à sua grande popularidade, decidiu mantê-lo também na carreira política, que iniciou com a sua própria legenda, o Partido do Esporte e da Paz.

Em 1976, chegou a enfrentar em Tóquio o lendário boxeador Muhamed Ali em um combate de exibição que terminou empatado e foi considerado como precursor da disciplina moderna das artes marciais mistas.

Inoki exibe fotografias suas ao lado de autoridades norte-coreanas feitas em sua mais recente viagem ao isolado país (Kazuhiro Yokozeki/The New York Times)

Inoki exibe fotografias suas ao lado de autoridades norte-coreanas feitas em sua mais recente viagem ao isolado país (Kazuhiro Yokozeki/The New York Times)

Sua maior conquista política até agora aconteceu no início dos 90, quando viajou ao Iraque em uma “missão diplomática individual e não oficial” para organizar uma competição de luta livre e negociar com Saddam Hussein, o que permitiu a libertação de 41 reféns japoneses antes da Guerra do Golfo.

Mas sua carreira parlamentar foi interrompida em 1995, quando foi envolvido em um escândalo sobre o financiamento ilegal de seu partido e seus supostos vínculos com a Yakuza, a máfia japonesa. Inoki retornou à política e foi eleito senador em 2013 como candidato do nacionalista Partido pela Restauração do Japão e, desde então, intensificou suas visitas à Coreia do Norte.

Agora resta saber se sua “diplomacia do esporte” para o país mais isolado do mundo, da qual Inoki é um dos maiores expoentes atuais, junto ao ex-jogador de basquete americano Dennis Rodman, dará frutos reais ou é mais uma de suas habituais aparições midiáticas em que lembra seu passado dourado. / EFE

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