Ex-motorista de líder democrata é indicado para disputar a presidência de Mianmar
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Ex-motorista de líder democrata é indicado para disputar a presidência de Mianmar

Novo chefe de Estado será escolhido entre três candidatos, dois deles propostos por cada uma das Câmaras do Parlamento, onde o partido de Aung San Suu Kyi tem maioria absoluta

Redação Internacional

10 de março de 2016 | 14h28

BANGCOC – Htin Kyaw, homem de confiança da líder do movimento democrático de Mianmar, Aung San Suu Kyi, desponta como o novo presidente do país após ser indicado nesta quinta-feira, 10, como o candidato do partido da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Kyaw tem 69 anos e trabalhou como motorista para a líder democrata durante os períodos nos quais ela não esteve sob prisão domiciliar. Genro de um ex-porta-voz da Liga Nacional para a Democracia (LND) e amigo de Aung San desde os tempos da escola, foi um de seus aliados mais fiéis e atualmente a ajuda a dirigir sua organização beneficente.

Htin Kyaw tem 69 anos e trabalhou como motorista para a líder democrata Aung San Suu Kyi durante os períodos nos quais ela não esteve sob prisão domiciliar

Htin Kyaw tem 69 anos e trabalhou como motorista para a líder democrata Aung San Suu Kyi durante os períodos nos quais ela não esteve sob prisão domiciliar (Foto: EFE/Nyein Chan Naing)

“Este é um passo importante para colocar em andamento os desejos e expectativas dos eleitores que, com entusiasmo, apoiaram a LND”, expressou Aung San em um comunicado publicado no site de seu grupo, no qual também convocou o povo a apoiar as metas do partido pacificamente.

O novo chefe de Estado será escolhido entre três candidatos, dois deles propostos por cada uma das Câmaras do Parlamento, onde a Liga Nacional para a Democracia (LND) de Aung San tem maioria absoluta, e um terceiro pelo Exército.

Aung San, de 70 anos, não pôde se candidatar à presidência em razão de uma norma da Constituição aprovada pela última junta militar que veta ao cargo candidatos com familiares estrangeiros. Seus dois filhos têm passaporte britânico.

A indicação de Htin Kyaw deverá ser ratificada na Câmara baixa, onde foi proposto, antes que sua candidatura seja votada pelo Legislativo, em uma sessão plenária que ainda não tem uma data estipulada, segundo o jornal Myanmar Times.

A LND também propôs Henry Van Hti Yu, da minoria Chin, como candidato pela Câmara alta.

Os dois candidatos não devem ter problemas com a indicação pelas respectivas Câmaras contra os candidatos propostos pelo partido pró-militar do governo em fim de mandato, que foi derrotado pela LND nas eleições do novembro.

Os candidatos do governista Partido para a Solidariedade e o Desenvolvimento da União (USDP) são o atual vice-presidente, Sai Mauk Kham (Câmara baixa) e Khin Aung Myint, ex-presidente da Câmara alta.

O novo presidente será eleito em uma votação de todo o Legislativo que, segundo a imprensa local, poderia acontecer no início da próxima semana e na qual os dois perdedores serão nomeados vice-presidentes do novo governo.

O novo presidente, assim como seu Executivo que será formado em seguida, deverá substituir o atual chefe de Estado no próximo dia 30.

O prestígio de Aung San Suu Kyi, filha do general Aung San, herói da independência assassinado em 1947, é imenso no país pobre de 51 milhões de habitantes. Desde a auto-dissolução da junta militar – após ser governado por generais de 1962 a 2011 – e o estabelecimento de um governo semi-civil em 2011, o país se abriu com a libertação de centenas de presos políticos, liberdade de imprensa e abertura econômica. /EFE e REUTERS

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