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Exército egípcio deteve e torturou manifestantes, dizem ativistas

Luiz Raatz

10 de fevereiro de 2011 | 13h01

Grupos de direitos humanos e dissidentes egípcios disseram ao jornal britânico ‘The Guardian’ que o Exército do país participou da captura e tortura de manifestantes favoráveis à renúncia do presidente Hosni Mubarak. Até então, os militares, bastante respeitados pela sociedade egípcia, têm mantido publicamente uma postura de neutralidade na crise.

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De acordo com Hossam Bahgat, diretor da ONG Iniciativa Egípcia pelos Direitos Individuais, centenas, e possivelmente milhares de pessoas comuns desapareceram sob custódia dos militares nas últimas duas semanas. “Entre os presos há pessoas que estavam nos protestos, ou violaram o toque de recolher e também quem simplesmente respondeu a um oficial, ou se parecia com um estrangeiro”, disse.

Ainda segundo o Guardian, os militares mantiveram uma prisão informal no Museu de Antiguidades do Cairo. Há relatos de uso de choques elétricos nos presos. Os militares acusavam os dissidentes de estar a serviço de países estrangeiros, como o Hamas e Israel. Militantes de direitos humanos, jornalistas e advogados estavam entre os presos, a maioria já liberada.

Leia o relato dado ao Guardian por Ashraf, jovem de 23 anos que ocultou o nome por medo de ser preso novamente. ( há descrição de cenas de violência)

“Eu estava na rua e um soldado me parou e perguntou onde eu ia. Respondi e ele começou a gritar que eu estava a serviço de inimigos estrangeiros. Então começaram a me bater. Fui levado a uma sala. Um oficial me perguntou quem estava me pagando para me colocar contra o governo.

Quando eu disse que queria um governo melhor ele me bateu na cabeça e caí no chão. Os soldados começaram a me chutar entre as pernas. Eles pegaram uma baioneta e ameaçaram me estuprar com ela. Depois a passaram entre minhas pernas. Disseram que eu poderia morrer, ou desaparecer na prisão que ninguém saberia. A tortura era dolorosa, mas a ideia de sumir em uma prisão militar era bastante assustadora”

Ashraf continuou a ser espancado por diversas horas. Depois foi colocado numa sala com cerca de dez outros homens. Ele foi liberado 18 horas depois. Os militares o avisaram para não voltar mais à praça Tahrir.

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