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Exílio de Zelaya marca sucesso de golpe corretivo

Ricardo Chapola

28 de janeiro de 2010 | 20h54

Apoiado pelos principais partidos, Suprema Corte, militares, empresários e Igreja, o golpe corretivo de Honduras funcionou. O presidente deposto, Manuel Zelaya, deixa o país rumo ao exílio mais fraco do que nunca, sem ter como reivindicar o poder, pois seu mandato terminou ontem.

Eleito com facilidade já no primeiro turno, o presidente Porfírio “Pepe” Lobo assume com a crise interna hondurenha praticamente debelada e, nos próximos meses, deve conseguir provar aos países ainda reticentes de sua vitória – como o Brasil – que ele é a única alternativa viável para tirar Honduras do atual limbo político.

Mais importante do que o exílio de Zelaya talvez seja o fato de ele ter sido incapaz de deixar um sucessor ou mesmo um legado político. A nova composição do Congresso hondurenho evidencia esse fracasso. Dos 128 deputados eleitos, apenas 4 se dizem zelaystas (todos membros da legenda radical Unificação Democrática).

Os 45 congressistas do Partido Liberal – legenda esquizofrênica da qual fazem parte tanto Zelaya quanto o ex-líder de facto, Roberto Micheletti – ou apoiaram o golpe de junho ou se distanciaram do deposto. Com 71 cadeiras, o conservador Partido Nacional, de Pepe, é a maior bancada.

No fim, os ideólogos do golpe atingiram seus objetivos: Zelaya saiu, a possibilidade de uma Constituinte foi enterrada e Honduras deixou a órbita bolivariana. Como não tem sentido manter o gelo internacional, Pepe acabará reconhecido presidente – e Zelaya, será parte do passado.

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