Fariñas: “Foi aberta uma janela, temos de aproveitá-la”
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Fariñas: “Foi aberta uma janela, temos de aproveitá-la”

Redação Internacional

13 de julho de 2010 | 18h36

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O governo de Cuba decidiu libertar os 52 presos políticos que restavam do grupo de 75 detidos no episódio conhecido como Primavera Negra, em 2003. A medida foi aplaudida pelo dissidente cubano Guillermo Fariñas, atualmente o maior ícone da luta contra o tratamento dos chamados prisioneiros de consciência em Cuba pela greve de fome que empenhou durante 135 dias.

Com o jejum, Fariñas protestava pela libertação de 26 presos políticos doentes, todos inclusos no grupo que o governo prometeu soltar. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o dissidente disse que “nem o governo, nem os opositores, nem a comunidade internacional devem parar, é preciso seguir adiante”. “Foi aberta uma janela, temos de aproveitá-la”, disse.

Fariñas, que iniciou o jejum no dia 24 de fevereiro, após a morte do opositor Orlando Zapata, acredita que a libertação dos presos é “uma mostra de pragmatismo do governo”, mas que será inútil e não for acompanhada de reformas. Segundo ele, “o regime chegou ao seu limite e não há mais remédios, a não ser fazer trocas”.

A aparição do ex-presidente Fidel Castro na televisão cubana após quatro anos apenas um dia antes da chegada dos primeiros sete presos libertados a Madri não foi considerada uma coincidência por Fariñas. Para ele, a presença do líder da Revolução Cubana na televisão tem o objetivo de mostrar que todo o processo de libertação “se deu sob o seu consentimento, que está lúcido e por trás de tudo o que o governo faz”.

Apesar de não estar otimista, Fariñas considera que a libertação dos presos é uma vitória de Cuba, e não apenas de certos grupos políticos. “Eles (o governo) também tiveram de ceder e aprender a caminhar pela reconciliação”, disse. O dissidente, que permanece na UTI do hospital de Santa Clara e corre riscos de sofrer sequelas irreversíveis por conta da greve de fome, ainda se diz compreensivo. “Perdoo os que me golpearam e me torturaram. Agora, todos devemos ser generosos e avançar juntos pelo bem de Cuba”.

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