As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

FBI procura famílias para esclarecer crimes raciais dos anos 1960

Robson Morelli

22 de dezembro de 2009 | 07h00

Ao longo dos últimos três anos, o FBI vasculhou documentos antigos, entrevistou velhos advogados e localizou testemunhas de assassinatos que ocorreram décadas atrás, muitos dos quais envolvendo policiais brancos que mataram homens negros ou adolescentes. O objetivo é acertar as contas com o passado.

Os agentes estão encerrando as buscas por parentes de pelo menos 33 vítimas dos turbulentos conflitos pelos direitos civis dos negros nos anos 1960 e precisa de ajuda pública. O FBI está apelando para que parentes dessas pessoas venham a público, como última tentativa de consertar os erros históricos.

“Temos feito tudo o que podemos para encontrar esses familiares e temos esgotado todas as possibilidades para isso”, disse Cynthia Deitle, chefe da unidade de direitos civis do FBI. “Não importa se cônjuge, filho ou pais. Estamos indo o quão longe podemos para encontrar os parentes mais próximos.”

Em alguns casos, o FBI está procurando familiares que possam ajudar a elucidar detalhes dos crimes. Em outros, agentes querem informar o andamento das investigações ou simplesmente dizer que o caso está encerrado.

Entre os casos está o de Johnny Robinson, um adolescente negro morto pela polícia em 1963, por conta do notório atentado a bomba na Igreja Batista em Birmingham, Alabama. Outro caso é o de John Earl Reese, um garoto de 16 anos assassinado em 1955, quando dois homens dispararam contra um café em Gregg County, no Texas.

A Civil Rights-Era Cold Case Initiative começou em 2006 com séria responsabilidade: reabrir casos adormecidos desse o período da história americana, quando negros e brancos eram assassinados no Sul do País, numa luta sangrenta cujo objetivo era manter a segregação racial, iniciada muitos anos antes.

A divisão do FBI responsável pela iniciativa teve 108 casos sob investigação, incluindo o da infame Ku Klux Klan, facção iniciada após o final da Guerra Civil Americana, cujo objetivo primordial era pregar o domínio dos brancos protestantes, impedindo, assim, a integração social dos negros, além de católicos, judeus e imigrantes em geral.

Mortos

O FBI disse que quase metade dos suspeitos identificados como assassinos estão agora mortos. Também foi descartada motivação racial em cerca de 20 assassinatos.

Um dos processos bem-sucedidos citados pelo FBI é a condenação, em 2003, de Ernest Avery Avants, membro de um grupo racista condenado por matar, em 1966, Ben Chester White, um homem negro, cuja morte foi usada como isca para atrair o líder da luta pelos direitos civis dos negros Martin Luther King Jr. para Natchez, Mississipi. No entanto, White sequer estava na luta pelos direitos.

Outro desfecho bem-sucedido ocorreu em 2007, com a condenação de James Ford Seale, um reputado homem da facção. Ele sequestrou, espancou e jogou Charles Moore e Henry Dee – possivelmente ainda vivos – nas águas escuras do Rio Mississipi, em 1964.

O irmão de Charles Moore, Thomas Moore, foi fundamental para que este caso fosse reaberto. Ele disse ter levado ao FBI fitas gravadas obtidas pelo procurador do Estado do Mississippi Dunn Lampton, que trabalhou no caso.

Embora se esforce para ser aplaudido, alguns creem que a iniciativa do FBI chega muito tarde. “Creio que as janelas estejam se fechando porque alguns dos potenciais acusados estão morrendo ou já morreram. Esta investigação teria sido maravilhosa 15 anos atrás”, disse Susan Glisson, diretora do William Winter Institute para Conciliação Racial da Universidade do Mississippi.

O presidente do Southern Poverty Law Center, Richard Cohen, disse que a organização pela qual é responsável tem fornecido informações ao FBI na esperança de que algum culpado pelos assassinatos ainda não solucionados seja condenado. “A Justiça alcançada por alguns casos servirá como uma forma de justiça simbólica aos demais”, resumiu.  (Agência Estado e Associated Press)

Tudo o que sabemos sobre:

EUAFBI

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.