Férias de padeiros deixam Paris sem a tradicional baguete
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Férias de padeiros deixam Paris sem a tradicional baguete

Pela primeira vez, desde 1789, profissionais puderam descansar sem comunicar as autoridades, o que teria causado uma redução na produção do produto na França

Redação Internacional

26 de agosto de 2015 | 10h08

A baguete francesa é um dos produtos mais consumidos pelos turistas que visitam a França e, por esse motivo, costuma ser de fácil acesso. No entanto, neste ano uma grande quantidade de padeiros está de férias ao mesmo tempo e isso tem tornado a busca pelo produto uma missão bastante difícil.

“Eu percebi que estou comprando mais pão de forma no supermercado – e esse produto nem é pão de verdade”, reclamou o parisiense Aude Debout, de 30 anos, ao jornal britânico de negócios Financial Times.

 

A tradicional baguete francesa

Férias de padeiros franceses tem dificultado a compra da tradicional baguete (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

A explicação para a redução na quantidade do pão nas padarias francesas é que pela primeira vez, desde 1789, os padeiros puderam tirar férias quando eles bem entendessem, sem a necessidade de comunicar previamente as autoridades do país.

Até então, leis que estavam em vigor desde a Revolução Francesa preveniam que isso ocorresse como uma forma de garantir que houvesse sempre pão disponível como uma medida para evitar que os cidadãos do país passassem fome.

Essa lei, no entanto, foi considerada desnecessária no ano passado e deixou de vigorar. Na ocasião, a justificativa para a mudança foi o fato de agosto ser um mês de pouco movimento para o setor de panificação por ser o período em que a maioria dos franceses costuma tirar férias e viajar – isso fazia com houvesse um excesso de pães à disposição.

A imprensa francesa, no entanto, diz que tanto turistas quanto moradores do país não estão passando por uma escassez do produto e haveria produtos para suprir a demanda do setor. Alguns jornais da França culparam os meios de comunicação britânicos pelo que consideram ser um “exagero” ao noticiar a situação.

O diário britânico The Telegraph, por exemplo, previu “cenas de moradores enfurecidos aguardando por atendimento nas boulangeries” (como são chamadas, em francês, as padarias), enquanto que o Daily Mail disse que a seria o “maior pesadelo deste verão”.

“Paris continua sendo uma cidade grande, na qual você pode completar a missão (de encontrar uma baguete) se você aceitar andar alguns metros a mais”, escreveu o site francês Atlantico, em reposta para as publicações inglesas.

No entanto, alguns parisienses não estão totalmente convencidos de que a crise das baguetes é simplesmente uma invenção britânica. “Eu saí para comprar uma baguete há poucos dias e as duas boulangeries mais próximas da minha casa estavam fechadas pela primeira vez na história”, disse uma mulher parisiense segundo o site de notícias The Local. “Somente as que vendem baguetes ruins continuam abertas.” / WASHINGTON POST

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