Festa do Sacrifício abre espaço para serviços curiosos no Marrocos
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Festa do Sacrifício abre espaço para serviços curiosos no Marrocos

Ofícios vão desde amolar facas até vender carvão para assar carnes ou alimentos para cordeiros

Redação Internacional

13 de setembro de 2016 | 15h40

RABAT – Além de um rito muçulmano, a Festa do Sacrifício, ou Eid al-Adha, é no Marrocos um momento no qual também ressurgem muitos ofícios temporários pequenos durante os dias prévios e posteriores ao sacrifício do cordeiro.

Poucos dias antes da festa, é comum ver nas diversas ruas do país barracas onde são prestados vários tipos de serviços, desde amolar facas até vender carvão para assar carnes ou alimentos para cordeiros.

Muçulmanos fazem orações durante Eid al-Adha, a Festa do Sacrifício (Foto: AFP PHOTO)

Muçulmanos fazem orações durante Eid al-Adha, a Festa do Sacrifício (Foto: AFP PHOTO)

Em alguns bairros há quem também se encarregue de erguer “pequenos currais” para cuidar dos cordeiros dos vizinhos nos dias anteriores ao momento do sacrifício do animal. Assim, esses “guardiões” poupam muitas famílias dos sons e dos fortes cheiros do animal, assim como as tarefas penosas de limpar o local onde fica o cordeiro e alimentá-lo.

Mohammed Musaid, de 22 anos, é um desses guardiões que tem sob sua responsabilidade uma dezena de cordeiros em um pequeno curral no bairro de Karima, na cidade de Saleh, ao lado de Rabat. “Sou estudante, e esta é a primeira vez que me encarrego dessa tarefa. Quero ajudar meus vizinhos porque não eles têm espaço em suas casas, nem tempo para manter o cordeiro”, disse o jovem.

Musaid não quis revelar quanto ou o quê cobra pelo ofício, e explicou que não se trata de tarifas fixas, mas negociáveis. Normalmente, as tarifas são estabelecidas a partir de 30 dirhams (2,7 euros) por noite para cada cordeiro. O preço inclui as despesas de manutenção do animal com água e pasto nos dias anteriores a seu sacrifício.

Outro trabalho que faz muito sucesso durante os dias da Festa do Sacrifício é de amolar facas. Também em Saleh, homens e mulheres aguardam em uma fila em frente ao ponto de Hamid al Bidi, um afiador tradicional de 40 anos.

Para exercer seu trabalho, Bidi conta com uma única ferramenta: uma pedra grande de amolar que tem formato de roda e a qual ele gira com o uso de pedais conforme afia as facas. “Herdei este ofício de meu pai e o faço há 16 anos. Sou vendedor de peixes, mas, quando é necessário, trabalho como amolador”, disse Bidi.

Além dos trabalhos anteriores à festa, outros surgem durante o mesmo dia em que se sacrifica o animal. É o caso dos abatedores ambulantes, sendo alguns açougueiros de profissão. É comum vê-los durante o dia do Eid caminhando pelas ruas das cidades marroquinas buscando clientes, com suas roupas manchadas de sangue e facas nas mãos.

O papel dos abatedores supera, em várias ocasiões, a missão de degolar o animal, e se estende às tarefas de remover o couro e desmembrá-lo.

Assim que o animal é sacrificado, é a vez da intervenção de outros trabalhadores, como os que recolhem as peles do animal para vendê-las nas oficinas de curtume, e aqueles que acendem pequenas fogueiras nas ruas para queimar as cabeças e patas do cordeiro e chamuscar os pelos.

Todos esses trabalhos quase não existem nos povoados marroquinos, já que as famílias estão acostumadas a lidar com essas mesmas atividades. / EFE