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Figuras-chave no caso Jean Charles

Redação Internacional

30 de março de 2016 | 20h31

Ian Blair, ex-chefe da Scotland Yard
Ian Blair renunciou em outubro de 2008 à chefia da Scotland Yard, ao alegar que não podia continuar no cargo, pois o então prefeito de Londres, Boris Johnson, havia perdido a confiança nele. Blair havia passado três anos sob pressão em várias frentes após policiais que estavam sob seu comando matarem com sete tiros o brasileiro Jean Charles de Menezes em uma estação do metrô de Londres, depois de o confundirem com um terrorista. O incidente ocorreu duas semanas depois dos atentados contra os meios de transporte da capital britânica, que deixaram 56 mortos (incluindo os 4 suicidas). Na ocasião, Ian Blair foi acusado de tentar impedir que a polícia metropolitana de Londres fosse investigada pela morte de Jean Charles. Ao renunciar, Ian Blair disse que não estava deixando o cargo em razão de qualquer falha, mas porque o prefeito tinha indicado que precisava de uma nova liderança para a Scotland Yard.
Tony Blair,ex-primeiro-ministro
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair comandava o país à época da morte de Jean Charles de Menezes. Desde o 11 de Setembro, aliou-se ao governo do então presidente americano, George W. Bush, na Guerra ao Terror, que resultou na participação britânica nas invasões do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003. Dois anos depois, Blair viu o país ser alvo da Al-Qaeda, em 7 de julho, nos atentados contra o sistema de transporte público londrino. Na sequência dos ataques, ocorreu a operação que culminou na morte de Jean Charles. Blair chegou a pedir desculpas formais ao então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva pela morte do imigrante. “Mais uma vez, deixe-me dizer-lhe que oferecemos nossas mais profundas desculpas à família por este trágico fato e eu, certamente, asseguro ao presidente que haverá uma investigação”, disse o premiê a Lula em 2006.
Jack Straw, ex-chanceler britânico

Nas semanas que se seguiram à morte de Jean Charles de Menezes, o então secretário do Exterior britânico, Jack Straw, questionou a validade do visto do brasileiro para residir na Grã-Bretanha. Ele chegou a comunicar ao chanceler brasileiro da época, Celson Amorim, que havia dúvidas sobre o status do passaporte de Jean Charles, que chegou ao país com um visto de turista e depois tentou obter uma permissão de estudante. Ele trabalhava como eletricista na capital britânica. Uma investigação revelou que o carimbo que está estampado no passaporte não corresponde ao tipo usado na data em que ele teria sido emitido pelo Departamento de Imigração e Nacionalidade da Grã-Bretanha. À época, Straw disse ao ministro brasileiro que as dúvidas sobre os documentos de Jean Charles não alteravam a responsabilidade das autoridades britânicas pela “morte trágica de um cidadão brasileiro inocente e pacífico.”

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