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‘Grândola, Vila Morena’, a música da Revolução dos Cravos

Redação Internacional

25 de abril de 2014 | 12h12

LISBOA – Na Revolução dos Cravos, que acabou com a ditadura em Portugal no dia 25 de abril de 1974, a música – especialmente a canção “Grândola, Vila Morena” – teve um papel crucial porque foi a senha usada pelos capitães revolucionários para começar as operações militares.

A canção foi um dos poucos resquícios de liberdade que restavam aos portugueses e que vista hoje em retrospectiva, permite saber como era o país naquele momento. “Grândola, Vila Morena. Terra de Fraternidade. O povo é quem mais ordena, dentro de ti, ó cidade”, dizem os primeiros versos da famoso música do falecido Zeca Afonso, composta em 1964 e escolhida pelos militares insurgentes como sinal para deixar os quartéis e dar início ao levante. (Ouça a canção abaixo)

No dia 25, à 0h20, a música chegou a todas as unidades do Exército participantes do golpe. O primeiro sinal chegou um pouco antes, às 22h55 do dia 24. Uma emissora local de Lisboa tocou para seus ouvintes “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, que não tinha significado político para não levantar suspeitas, mas que foi escolhida pelos incentivadores do levante para iniciar as operações na capital portuguesa.

Zeca Afonso viu várias de suas criações serem ilegalizadas pelo regime sob acusação de fazer referência ao comunismo, o que mais tarde o transformou em um símbolo de resistência democrática. “Eles comem tudo e não deixam nada”, cantava o autor em “Vampiros”, sua primeira composição de caráter eminentemente político (1963), proibida junto com as demais músicas do álbum “Baladas de Coimbra”.

Os portugueses ainda entoam com emoção o “Grândola, Vila Morena”, uma canção que, nos últimos anos de crise, reapareceu nas várias manifestações contra a austeridade e inclusive no parlamento./ EFE

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