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Guerra na Líbia – dia a dia

João Coscelli

23 de março de 2011 | 15h55

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou no dia 17 de março uma resolução que prevê a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e o uso de quaisquer medidas necessárias para proteger os civis líbios do ditador Muamar Kadafi. Um dia depois, começou a intervenção internacional no país africano. Acompanhe no Radar Global os desdobramentos da guerra na Líbia.

17 DE MARÇO – QUINTA-FEIRA

ONU aprova a resolução 1947. Brasil, Rússia, Índia, China e Alemanha se abstêm, enquanto EUA, França, Reino Unido, África do Sul, Nigéria, Gabão, Líbano, Colômbia, Portugal e Bósnia votam a favor da medida. Texto exige cessar-fogo imediato.

Minutos depois de a decisão da ONU ser anunciada, Kadafi critica a intervenção e a considera “um ato flagrante de colonização” ilegal. “Isso é loucura, insanidade, arrogância. Se o mundo enlouquecer, enlouqueceremos junto. Vamos responder. Faremos de sua vida um inferno, porque estão fazendo isso da nossa. Eles nunca terão paz”.

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18 DE MARÇO – SEXTA-FEIRA

Um dia depois de aprovada a resolução, governo Líbio decreta cessar-fogo para “proteger sua população”. Os ataques de Kadafi contra a população, porém, não são paralisados, segundo os rebeldes.

Barack Obama, presidente dos EUA, lança ultimado ao ditador líbio e afirma que se ele não cooperar, a resolução da ONU seria implantada à força.

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19 DE MARÇO – SÁBADO

Líderes ocidentais, africanos e árabes se reúnem para discutir a intervenção na Líbia. Enquanto isso, Kadafi segue atacando Benghazi, principal reduto rebelde. Pouco tempo depois, a França anuncia o início da incursão, que prevê apenas patrulhas e ataques aéreos, sem o destacamento de tropas terrestres no país africano.

Mais tarde, a coalizão amplia seus ataques e afirma ter danificado boa parte das defesas líbias. Em resposta, Kadafi afirma que atacaria alvos civis no Mar Mediterrâneo e que ‘impediria a segunda cruzada do Ocidente’.

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20 DE MARÇO – DOMINGO

Mesmo com ação internacional e suposto cessar-fogo decretado, tropas de Kadafi seguem atacando  Misrata, cidades controlada pelos rebeldes. A Líbia anuncia uma nova trégua, mas o ditador, na contra-mão, promete uma ‘guerra longa’. Os ataques da coalizão se intensificam, e os EUA afirmam que passariam o controle da incursão aos europeus.

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21 DE MARÇO – SEGUNDA-FEIRA

Quatro jornalistas do New York Times presos pelo governo líbio são libertados. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pede medidas ‘legais, justas e necessárias’ contra Kadafi, enquanto os EUA estudam a ampliação da zona de exclusão aérea. Os rebeldes, que ganharam novo fôlego após o início da intervenção, dizem que querem levar Kadafi a julgamento após o fim da guerra. Obama afirma que a intervenção internacional tem como um de seus objetivos a deposição do ditador líbio.

O Brasil, que se absteve na votação no Conselho de Segurança, pede cessar-fogo na Líbia. O próprio Conselho, por sua vez, rejeita os pedidos do governo líbio para discutir a intervenção.

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22 DE MARÇO – TERÇA-FEIRA

Os militares americanos reportam que um F-15 cai perto de Benghazi. Os dois tripulantes são resgatados e levados para um local seguro. Durante a operação de salvamento, seis civis líbios teriam sido baleados pelas tropas dos EUA, mas os relatos não são confirmados.

EUA, França e Reino Unido entram em acordo sobre a participação da Otan na intervenção contra o ditador líbio. O comitê político que deverá liderar as ações, porém, não é formado, mas a decisão dá indícios de que a aliança comandará as operações. Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, afirma que pessoas próximas ao coronel estão buscando quais seriam as ‘opções’ do ditador, o que indica que ele estaria procurando o exílio.

Kadafi, que perdeu um de seus principais comandantes perto de Trípoli, diz que continará lutando e promete sair vitorioso da guerra contra o Ocidente. “Não vamos nos render. Vamos derrotá-los de qualquer forma. Estamos prontos para a luta, seja ela longa ou curta. Venceremos no final”. Foi a primeira aparição de Kadafi aos seus apoiadores desde o início da incursão.

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23 DE MARÇO – QUARTA-FEIRA

Os rebeldes, em demonstração de que seguem com o objetivo de derrubar Kadafi, nomeiam um presidente do governo interino.

A Otan se diz pronta para as operações sobre o embargo de armas contra a Líbia, e o Reino Unido afirma que a força aérea de Kadafi foi destruída pelos ataques da coalizão.

De acordo com a televisão estatal e com testemunhas, novos ataques ocorreram em Trípoli. Uma fonte militar disse à emissora que foram atingidos “alvos civis e militares” e que “um grande número de civis” morreu. Da parte de Kadafi, tanques dispararam contra um hospital em Misrata. Um porta-voz dos rebeldes disse que 16 pessoas morreram.

Já a Otan não se decidiu sobre o comando das operações na Líbia. Os países-membros da aliança marcam para o dia seguinte uma nova reunião para discutir o assunto.

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