Hillary critica Trump por usar dados sigilosos e o chama de ‘antipatriótico’
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Hillary critica Trump por usar dados sigilosos e o chama de ‘antipatriótico’

Na quarta-feira, o republicano afirmou que, com as informações que ele obteve ‘Obama não seguiu o que os especialistas disseram’ e Vladimir Putin é melhor líder do que o americano; relatórios de inteligência foram entregues aos dois candidatos

Redação Internacional

08 de setembro de 2016 | 20h12

WHITE PLAINS, EUA – A candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, repreendeu nesta quinta-feira, 8, seu rival republicano, Donald Trump, por usar na campanha informações de inteligência confidenciais às quais ele teve acesso como candidato presidencial. Segundo ela, o comportamento do magnata, ao citar estes dados durante um fórum na TV na noite de quarta-feira, foi “totalmente impróprio e indisciplinado”.

Falando a jornalistas hoje, na manhã seguinte ao fórum de segurança em Nova York, no qual os dois candidatos fizeram aparições separadamente, Hillary afirmou que o elogio de Trump ao presidente Vladimir Putin, ao dizer que o russo é um líder melhor que o presidente americano, Barack Obama, “não foi só antipatriótico, mas também assustador”.

U.S. Democratic presidential candidate Hillary Clinton holds a news conference on the airport tarmac in front of her campaign plane in White Plains, New York, United States September 8, 2016. REUTERS/Brian Snyder TPX IMAGES OF THE DAY

Hillary concede primeira entrevista coletiva este ano. Foto: Brian Snyder/Reuters

No fórum, Trump afirmou estar “chocado” com as informações que recebeu. “O que eu soube é que nosso líder, Barack Obama, não seguiu o que nossos especialistas … disseram para fazer”, afirmou Trump.

“Eu jamais comentaria qualquer aspecto de um relatório de inteligência que recebi”, disse Hillary, ex-secretária de Estado dos EUA, antes de embarcar em seu avião de campanha. Por serem candidatos à eleição de 8 de novembro, ela e o magnata têm direito de receber informações de inteligência. “Dá a entender que ele deixará Putin fazer o que bem quiser e depois inventará desculpas para isso”, afirmou Hillary.

A campanha de Trump reagiu às declarações da democrata, acusando-a de estar recorrendo a ataques “desenfreados e desonestos”. “Esses são os ataques desesperados de uma campanha que se debate e afunda nas pesquisas, e característicos de uma pessoa assombrosamente inepta para a presidência dos Estados Unidos”, afirmou Jason Miller, assessor de comunicação de Trump.

Obama também reagiu às críticas de Trump a suas ações na política externa dizendo que o candidato presidencial republicano não está apto para suceder-lhe no Salão Oval. Segundo o líder, o público deveria pressioná-lo por expressar “ideias completamente doidas”.

Discursando no Laos ao fim da segunda de duas cúpulas asiáticas, Obama disse que a falta de credenciais do magnata como líder fica explícita todas as vezes em que ele fala e os americanos estão cientes disso.

“Não acho que o sujeito tenha qualificação para ser presidente dos Estados Unidos, e toda vez que ele fala, essa opinião se confirma”, disse Obama, em uma entrevista coletiva.

“A coisa mais importante para o público e a imprensa é simplesmente ouvir o que ele diz e ir adiante e fazer perguntas sobre o que parecem ser ideias contraditórias, desinformadas ou completamente doidas.”

Fogo cruzado. Trump disse que o progresso dos generais militares dos EUA tem sido bloqueado, ou “reduzido a escombros”, com Obama como comandante em chefe e Hillary como sua secretária de Estado. Esse comentário também foi criticado por Hillary.

Foi a primeira vez que Trump e Hillary mediram forças no mesmo ambiente desde que tiveram suas candidaturas oficializadas por seus partidos em julho. O evento, ainda que eles não tenham compartilhado o palco, foi uma prévia do que será o primeiro debate presidencial nos EUA.

A vantagem de Hillary sobre o magnata nas pesquisas nacionais de intenção de voto enfraqueceu nos últimos dias. A média atual das sondagens do site RealClearPolitics atribui a ela 45,6% de apoio, enquanto Trump teria 42,8%.

A entrevista de hoje foi a primeira coletiva formal que Hillary concedeu desde o dia 5 de dezembro. Nela, a candidata democrata reiterou seu compromisso de derrotar o Estado Islâmico (EI) e afirmou que uma de suas prioridades será perseguir o líder do grupo jihadista, Abu Bakr al-Baghdadi, da mesma forma que os EUA fizeram com Osama bin Laden. O líder da Al-Qaeda foi morto em uma operação realizada quando Hillary era secretária de Estado de Obama.

“Esse é o tipo de comandante-chefe que serei. Alguém que nos unirá no propósito comum de manter nosso povo seguro e nosso país forte”, prometeu a candidata durante a entrevista.

Hillary antecipou ainda que realizará uma reunião com vários especialistas em segurança e defesa de ambos os partidos para avaliar uma estratégia para combater o EI. / REUTERS e EFE