Igreja Católica bloqueia reforma da saúde nos EUA
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Igreja Católica bloqueia reforma da saúde nos EUA

Luiz Moncau

07 de fevereiro de 2010 | 07h12

Obama: aborto atrapalha aprovação da reforma da saúde

Obama: aborto altera correlação de forças no Congresso (Foto: AP)

Não bastasse a intransigência da bancada republicana e da ala conservadora do Partido Democrata no Congresso, o presidente americano Barack Obama ganhou um adversário de peso para aprovar a reforma da saúde: a Igreja Católica.

Numa carta endereçada aos congressistas que discutem o próximo passo para aprovar a reforma – a fusão dos diferentes projetos de lei aprovados pela Câmara e pelo Senado num novo texto que ainda deve ser votado separadamente pelas duas Casas -, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (versão americana da CNBB) deixou claro que rejeita o projeto do Senado relativo à questão do aborto, aprovado a duras penas no Natal.

A versão do Senado (assim como a aprovada pela Câmara) veta que os novos planos de saúde estabelecidos pela reforma usem fundos públicos para pagar aos segurados pelos procedimentos de aborto. A diferença é que o projeto da Câmara é mais restrito, enquanto os senadores permitiram que Estados decidam sobre o assunto.

Na época da votação deste item da reforma, o projeto de lei enfrentou um debate furioso entre conservadores e liberais no Senado. De qualquer forma foi obtido um acordo que permitiu aos congressistas avançar para a atual fase de discussões – a fusão dos textos da Câmara e do Senado. Agora, os bispos americanos decidiram olhar para trás e contestar a primeira versão do Senado, causando um novo revés para Obama.

Na carta, os bispos ressaltam a necessidade de se chegar a um acordo para aprovar a reforma da saúde, “mas os vícios morais e de ordem política que impedem dezenas de milhares de americanos sem acesso à saúde permanecem” no texto aprovado pelo Senado, “cujo texto não atende nossos critérios morais e de consciência”.

O drama, para a Casa Branca, é que a questão do aborto está se convertendo num cavalo de batalha na nova correlação de forças no Congresso. Com a eleição extra de um  republicano, Scott Brown, para a cadeira do democrata Ted Kennedy, falecido no ano passado, por Masachussetts, Obama terá dificuldade de repetir os 60 votos necessários no Senado para aprovar o novo  projeto. Na votação da primeira versão, Obama obteve apoio dos 58  senadores democratas e de 2 independentes. Os 40 republicanos votaram contra.

Agora, os conservadores fazem pressão para que a nova versão conjunta do projeto de lei da reforma altere o texto do Senado relativo ao aborto. De quebra, Obama pode perder votos também na Câmara por causa do tema. O site FiveThirtyEight.com  fez uma sondagem e descobriu seis deserções da bancada governista dadas como certas e outras seis possíveis. Para Obama manter a maioria necessária de votos na Câmara, ele só pode perder um voto. A primeira versão na Câmara foi aprovada por 220 votos a 215 – apenas 1 voto além do mínimo necessário. (Slate)

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