Infestação de coelhos ameaça ilha onde Mandela ficou preso
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Infestação de coelhos ameaça ilha onde Mandela ficou preso

Luiz Raatz

02 de fevereiro de 2010 | 07h00

coelhos

Caçador segura coelhos abatidos. Foto: Reprodução/The New York Times

A histórica prisão da ilha de Robben, no litoral da Cidade do Cabo, onde o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela passou 18 de seus 27 anos preso, tem enfrentado problemas com a superpopulação de coelhos. Administradores começaram a matar os animais para controlar o número de roedores na ilha, declarada patrimônio da humanidade pela Unesco e que recebe diariamente 1,2 mil visitantes.

Desde outubro, os administradores têm recorrido a caçadas noturnas para abater os coelhos. Até agora 5,3 mil animais já foram mortos, junto com 78 cervos e 38 gatos selvagens, abatidos por acidente. Os caçadores estimam que seja necessário matar mais 8 mil, informou o “The New York Times”.

Os animais foram introduzidos na ilha por colonizadores holandeses no século XVII para servir-lhes de alimento. Ao longo dos anos, o número de coelhos, conhecidos pela rapidez com a qual se reproduzem, havia se mantido mais ou menos estável. Com o fechamento da prisão e sem demanda por alimento, a espécie adquiriu status de peste. Os coelhos começaram a cavar buracos sob os prédios históricos e a consumir boa parte da vegetação da ilha.

Os coelhos se reproduzem com muita rapidez. Aos três meses, a fêmea entra em idade reprodutiva. Ela gera ninhadas de 8 filhotes até seis vezes por ano. “Eles literalmente comem tudo que seja verde”, explicou Allan Perrins, presidente da Sociedade de Proteção aos Animais da região ao “The New York Times”.

Em um primeiro momento, houve relutância por parte dos administradores da ilha em recorrer ao sacrifício dos animais. Desde a libertação de Mandela, em 1990, a ilha se tornou um símbolo. Simplesmente matar os coelhos não parecia apropriado. Esforços não-violentos foram testados, mas nenhum funcionou.

Primeiro cogitou-se levar os coelhos para o continente, mas a ideia foi descartada após avaliar o estrago potencial que uma espécie introduzida e sem predadores poderia fazer em terra firme. Depois, os administradores pensaram em capturá-los e aplicar-lhes injeções letais, mas os pequenos roedores se mostraram extremamente difíceis de serem capturados. A caça foi, então, o recurso adotado.

A medida tem provocado pouca resistência, mas ativistas pelos direitos dos animais dizem que a estratégia evoca o espírito do apartheid. “Robben é um lugar sagrado. Uma matança ali é inapropriado, sujo e imoral”, disse Cicely Blumberg, uma advogada que milita pelo direito dos animais.

“Ninguém é a favor do derramamento de sangue na ilha de Robben, mas os coelhos estavam ameaçando prédios histórico, precisávamos fazer alguma coisa”, contestou Perrins.

A caçada não é simples. Dois homens percorrem a ilha de bicicletas e lanternas em busca dos coelhos. Quando conseguem fazer os animais parar, atiram. “Não posso dizer que é divertido. Mas me sinto bem. É um trabalho de preservação. Eles não pertencem a este lugar”, disse o caçador Chris Wilke.

Para fazer a caçada aparecer menos cruel, os administradores da ilha decidiram doar a carne dos coelhos abatidos para os pobres.

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