Insurgentes hackearam aviões não-tripulados dos EUA
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Insurgentes hackearam aviões não-tripulados dos EUA

Robson Morelli

17 de dezembro de 2009 | 20h15

Avião não-tripulado usado no Afeganistão. Foto: AP

Avião não-tripulado usado no Afeganistão. Foto: AP

Insurgentes no Iraque e no Afeganistão conseguiram invadir o sistema de envio de informações de aviões não-tripulados dos EUA. Eles interceptaram os vídeos transmitidos em tempo real pelo Predator, aeronave usada pelos militares americanos para vigilância área e coleta de dados de inteligência.
Um alto funcionário da Defesa dos EUA afirmou, sob anonimato, que os rebeldes viram as transmissões dos aviões, mas não há evidências de que sejam capazes de interferir nos sinais eletrônicos emitidos pelas aeronaves e nem de controlar os seus movimentos. Obter as imagens pode garantir aos insurgentes informações críticas sobre os alvos dos militares, incluindo construções, estradas e outras instalações.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, os rebeldes iraquianos usaram programas disponíveis para consumidores, como o SkyGrabber, que custa US$ 26 na internet, para capturar as transmissões dos aviões. A interceptação das imagens, feita pela primeira vez há pelo menos um ano, foi possível porque as aeronaves controladas por acesso remoto não possuem proteção para a sua comunicação.

Em dezembro de 2008, militares encontraram  vídeos no computador de um militante xiita detido no Iraque, afirma o diário. Em julho, outras gravações foram apreendidas nos equipamentos de outros insurgentes. Alguns funcionários concluíram que grupos treinados e financiados pelo Irã seriam os responsáveis por captar as transmissões e compartilhá-las com extremistas.

Há alguns meses, o Exército encontrou evidências de que insurgentes no Afeganistão também conseguiram monitorar as transmissões de vídeo dos aviões não-tripulados. Não há informações sobre o modo como eles conseguiram o acesso ou quantas vezes o sistema foi invadido.

As interceptações foram possíveis porque alguns dos aviões usam transmissões não-codificadas, ainda que o Departamento de Defesa trabalhe atualmente para codificar todas as informações desse tipo de aeronave no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão. Um oficial afirmou que o procedimento é demorado, pois existem pelo menos 600 aparelhos não-tripulados que devem passar dados para centenas de estações em solo.O Predator pode voar durante horas por controle remoto, operado a centenas de quilômetros de distância. Com a possibilidade de ser usado armado ou desarmado, é parte de um arsenal crescente dos militares.

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