Japão: o que esperar após as eleições que fortaleceram Abe?
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Japão: o que esperar após as eleições que fortaleceram Abe?

Partido do primeiro-ministro obteve 313 das 465 cadeiras da Câmara dos Deputados

Redação Internacional

23 Outubro 2017 | 19h46

O Partido Liberal Democrático, do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, garantiu vitória nas eleições parlamentares no Japão no domingo, 22. A coalizão do PLD conseguiu eleger 313 de 465 representantes na Câmara Baixa do Congresso no Japão. Confira abaixo quatro importantes pontos para acompanhar no país após as eleições legislativas.

Partido de Shinzo Abe obteve ampla vitória na Câmara dos Deputados. Foto: Issei Kato/Reuters

Economia
O fato de Shinzo Abe ter a maioria facilita a aprovação de uma emenda constitucional na Câmara dos Deputados, mas tudo indica que não haverá grandes mudanças de rota na política econômica, segundo o jornal inglês The Guardian. No poder desde o final de 2012, depois de um primeiro mandato fracassado em 2006-2007, Abe poderá permanecer no controle do país até 2021.

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Segurança
Com maioria, Shinzo Abe conseguirá mais legitimidade em sua posição a respeito da Coreia do Norte, que lançou dois mísseis sobre o arquipélago nipônico. O primeiro-ministro é favorável à posição do governo americano, seu aliado, que consiste em manter “todas as opções” sobre a mesa, incluindo a militar, indica a agência de notícias AFP.

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Ainda de acordo com o jornal inglês The Guardian, deve permanecer a ideia de que a aliança Japão-EUA é positiva e de que a Coréia do Norte é o “vilão” da história. “Minha missão é agir com firmeza com a Coreia do Norte. Para isso, uma diplomacia forte é necessária. Vou reforçar nosso poder diplomático após a confiança depositada por vocês”, afirmou Abe no domingo.

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O papel das mulheres
Segundo a agência AFP, Essa eleição causou grande interesse porque houve novos partidos, mas, no resultado final, a predominância continuou sendo masculina. Apenas 8% dos eleitos pelo Partido Liberal Democrático, o principal, eram mulheres. Uma lei para implementar cotas de gênero nos partidos foi rejeitada recentemente. Por isso, com o LDP no poder, as chances de avanço são pequenas.

Reforma na Constituição
Com a vitória, o primeiro-ministro pode prosseguir com seu projeto de revisar a Constituição pacifista, imposta em 1947 pelos Estados Unidos após a rendição do Japão ao final da 2ª Guerra, cujo artigo 9 estabelece a renúncia “para sempre” à guerra.

China
A China expressou seu desejo de que o Japão contribua para alcançar a paz e a estabilidade regional após a vitória de Abe. Pequim e Tóquio tiveram alguns enfrentamentos verbais nos últimos anos, tanto pela disputa das ilhas Senkaku (Diaoyu em chinês), atualmente controladas pelo Japão, como pelo que a China considera uma posição revisionista de Abe e seu governo sobre as atrocidades cometidas durante as invasões japonesas de 1931 e 1937 e a ocupação até 1945.

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