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Jornal ortodoxo deixa Hillary Clinton de fora em edição de foto feita do gabinete de Obama durante operação que matou Bin Laden

Patrícia Ferreira

09 de maio de 2011 | 19h27

Morte de Osama bin Laden

Um jornal da comunidade hassídica – redigido em iídiche, idioma usado por judeus ultraortodoxos – se desculpou depois de publicar uma versão editada da imagem em que integrantes da equipe de segurança nacional de Barack Obama, presidente dos EUA, aparecem assistindo ao vivo à operação que matou na semana passada o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden.

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Na foto, publicada em preto-e-branco pelo Der Tzitung (“O Jornal”, em tradução livre), a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, simplesmente não aparece. Na versão original, ela é vista sentada, com a mão na frente da boca e notadamente impressionada, ao lado do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates (de camisa clara e gravata, no canto direito da foto).

A explicação do jornal: “não publicamos imagens de mulheres, o que de forma alguma as relega a um patamar inferior… Por conta de regras de modéstia, não somos permitidos a publicar fotografias de mulheres, e lamentamos se isso dá uma impressão de desprezo às mulheres, o que certamente nunca foi nossa intenção. Pedimos desculpas se isso foi visto como ofensivo”.

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Reprodução da foto publicada pelo Der Tzitung, sem Hillary Clinton e Audrey Tomason

Na imagem publicada na última sexta-feira, 6, pelo jornal hassídico, além da secretária de Estado, outra mulher desaparece: Audrey Tomason, diretora nacional de operações contraterrorismo dos Estados Unidos (vista no fundo, na versão original). Hillary e Audrey eram as únicas mulheres presentes no momento em que a imagem foi feita pelo fotógrafo oficial da Casa Branca, Pete Souza. A fotografia já é uma das mais vistas da operação que matou Bin Laden no canal oficial da Casa Branca no Flickr, com quase 2,4 milhões de visitas.

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A foto original mostra Obama e o gabinete assistindo à operação em Abbottabad, Paquistão

Aviso

Uma curiosidade: ao ser distribuída pelas agências de notícia, a foto vinha acompanhada de um texto com recomendações aos editores e informações sobre a imagem, como os nomes dos presentes.

No texto da AFP havia a informação de que a imagem é “distribuída como um serviço aos clientes”. A agência informa ainda que há “um documento classificado”, que aparece distorcido na imagem. Logo em seguida, aparece a instrução (também presente no canal da Casa Branca no Flickr):

A fotografia não pode ser manipulada de qualquer forma e não pode ser usada em materiais
comerciais ou políticos, anúncios, emails, produtos, promoções que de alguma forma sugira a
aprovação ou endosso do presidente, da primeira família, ou da Casa Branca.

De acordo com o jornal americano Washington Post, o veículo divulgou um comunicado no qual diz que o editor de fotografia “não leu as letras miúdas sobre a imagem”. O Post diz ainda que o jornal hassídico se desculpou à Casa Branca e ao Departamento de Estado pelo episódio.

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