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Jovens sírios satirizam Estado Islâmico em vídeos no YouTube

Em estúdio improvisado, refugiados gravam filmes ironizando o grupo jihadista e mostrando que sua interpretação do Islã não representa a maioria dos muçulmanos

Redação Internacional

12 Março 2015 | 22h27

Um grupo de jovens refugiados da cidade síria de Alepo acredita que o humor é o melhor remédio para o horror e as atrocidades que o Estado Islâmico vem cometendo na Síria e no Iraque.

Em um estúdio improvisado na cidade turca de Gaziantep, os jovens gravam vídeos ridicularizando o grupo jihadista e sua extrema violência. “O mundo todo parece temer o EI, então decidimos rir deles, expor sua hipocrisia e mostrar que sua interpretação do Islã não representa a maioria dos muçulmanos”, disse Maen Watfe, de 27 anos, ao jornal The Guardian.

Ele e seus três amigos – Youssef Helali, Mohammed Damlakhy e Aya Brown – sabem que correm risco e tiveram de se mudar depois de receber ameaças, mas disseram que nada os impedirá de continuar gravando os vídeos e satirizando os extremistas.

Um dos capítulos, intitulado O Príncipe, mostra o líder do Estado Islâmico, o autoproclamado califa, Abu Bakr al-Baghdadi fumando, tomando vinho, ouvindo música pop árabe e trocando selfies com garotas por meio de seu smartphone. Quando um jihadista marroquino chega dizendo que tinha viajado para a Síria para “libertar Jerusalém”, o líder troca a taça de vinho por um copo de leite e troca a música por cantos elogiando o martírio. Então, ele dá um cinturão-bomba ao marroquino e o envia a uma unidade de jihadistas. Quando a bomba explode, o líder retoma sua taça de vinho e recoloca a música pop.

Por vídeos como esse eles receberam ameaças por e-mail e via rede social. “Uma delas dizia que terminaríamos como os integrantes do jornal satírico francês Charlie Hebdo”, disse Aya, de 26 anos. “Por isso decidimos sair do apartamento em que estávamos.” O proprietário do imóvel lhes disse que um homem falando árabe os procurou várias vezes depois que se mudaram e passou a vigiar o local.
Segundo os jovens, as sátiras que os países ocidentais fazem do Estado Islâmico mostram os muçulmanos, de forma geral, como terroristas. “Queremos mostrar que o Islã é uma religião de paz, não do terror e da violência”, disse Aya.

Veja abaixo o capítulo O Príncipe:

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