Leia relato de estudante brasileira na Grã-Bretanha
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Leia relato de estudante brasileira na Grã-Bretanha

João Coscelli

10 de agosto de 2011 | 23h21

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Um dos principais centros comerciais de Liverpool ficou quase deserto após o início dos distúrbios

A estudante Débora Castro de Farias, 24, está na Grã-Bretanha há um mês e viveu momentos tensos devido à onda de violência que tomou conta de Londres e de outras cidades nos últimos dias. Leia a seguir alguns trechos do relato da brasileira e ouça algumas das impressões dela na página da rádio Estadão ESPN.

“A revolta chegou em Liverpool por volta da 1h da manhã de terça (horário local, 21h de segunda no horário de Brasília). Fiquei sabendo por dois meios. Primeiro, por um dos moradores do meu residencial, Daniel Richardson; logo em seguida, ao ouvir sirenes e helicópteros que causaram comoção e estranheza a todos por aqui. Liverpool é muito tranquila, extremamente calma para quem vive aqui.

(…)

“Durante nossa ida às aulas, era evidente o aumento de policiais nas ruas, a segurança de Merseyside, condado que abriga a cidade de Liverpool, disse que vigiaria constantemente a área com helicópteros e assim o faz até agora, praticamente 48 horas após o motim ter chegado até aqui. Pudemos notar que o efetivo de ambulâncias praticamente triplicou, e já há orientações mais enérgicas quanto ao curfew (toque de recolher), que tem início diariamente as 18h.

(…)

“Segundo o ‘boca a boca’ da população local, 1h da madrugada (21h no horário de Brasília) é o ‘momento oficial’ para o começo dos ataques.

(…)

“Uma curiosidade é que os alunos da Universidade de Liverpool, onde eu estudo, receberam a orientação de não utilizars nossos agasalhos da faculdade, ou qualquer outro, com o capuz fechado. Isso porque a polícia poderia nos identificar como suspeitos. E sim – as pessoas já assumiram para si que alguém usando capuz é sinal de perigo.

(…)

“Eu e um grupo de amigos conversamos com nosso professor de Relações Internacionais, e discutimos sobre alguns aspectos da economia local (…) Ele acredita ser um conflito doméstico, mas que tem a capacidade de atingir o Estado, ruindo o comércio, a segurança, o turismo – que por sua vez ruirá com o comércio novamente. Como um protesto cíclico e reativo contra a recessão econômica que atingiu antes aos que agora são os manifestantes”.

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