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Lições aprendidas com a Superterça nos Estados Unidos

Ao mesmo tempo em que a votação em 12 Estados fortaleceu a ex-secretária de Estado e o magnata de Nova York, enfraqueceu ainda mais as campanhas de seus adversários nas disputas partidárias

Redação Internacional

02 de março de 2016 | 11h54

O republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton saíram da Superterça com uma clara vantagem em suas aspirações presidenciais. No entanto, os resultados deixam lições e levantam dúvidas.

– Trump tem a indicação garantida?
Ainda não. Mas é “quase inevitável”, disse Dante Scala, cientista político da Universidade de New Hampshire. O empresário domina a corrida pelos delegados necessários para a indicação do partido Republicano.

Até agora 30% dos delegados foram atribuídos, de acordo com o sistema proporcional utilizado pelo partido. A partir de 15 de março, o vencedor da maioria das primárias levará a totalidade dos delegados. No fim do mês, 62% dos delegados terão sido atribuídos. Mas o tempo urge, e será difícil para seus adversários alcançá-lo. 

Se Trump conseguir 1.237 delegados (de um total de 2.472), a disputa estará definida e o empresário será indicado candidato formal do partido Republicano às eleições.

Se nenhum dos candidatos alcançar esta maioria no fim das primárias em junho, a investidura será determinada na convenção que será realizada em Cleveland, em julho. Os delegados primeiro votarão por seus candidatos, sem eleger um ganhador, para realizar novas rodadas sem o compromisso de apoiar seu candidato inicial.

– Marco Rubio perde impulso
A maior esperança de liderança que o establishment partido Republicano tinha se desinflou na terça-feira: o senador pela Flórida terminou em segundo ou terceiro lugar na maioria das primárias, e conquistou uma vitória em Minnesota. Teve um momento de crescimento ao humilhar Trump em um debate utilizando uma retórica similar, mas o efeito acabou.

Rubio promete prosseguir na corrida e busca uma vitória em seu estado, Flórida, no dia 15 de março, mas o argumento de que é o único capaz de manter o partido unido parece ter afundado.

Enquanto isso, o ultraconservador Ted Cruz, senador pelo Texas e inimigo jurado da direção do partido, não para de crescer. Nas primárias derrotou Trump em Iowa, Texas, Oklahoma e Alasca, e pediu a Rubio que abandonasse a disputa.

– O partido ainda pode conter Trump?
Funcionários, dirigentes e personalidades do partido Republicano ameaçaram não apoiar Trump e até mesmo votar em Hillary Clinton, enquanto outros mencionam a perspectiva de um candidato conservador como terceira opção. Mas a ameaça nunca se confirma.

“Muitos terminarão apoiando-o”, disse Christopher Arterton, professor da Universidade George Washington. Um analista conservador, Frank Luntz, estimou que é perigoso impulsionar uma guerra interna no partido, já que pode afundar os próprios dirigentes políticos.

– Hillary Clinton, em clara vantagem
“Ao fim desta noite, teremos ganhado centenas de delegados”, disse o senador Bernie Sanders aos seus seguidores, lembrando-os reiteradamente que depois da Superterça ainda serão realizadas votações em outros 35 estados.

Mas a mensagem do senador sobre a desigualdade econômica e contra a cumplicidade entre a classe política e o poder econômico encontra apenas um eco frágil entre as minorias que formam o bloco central do eleitorado democrata.

Mais de 80% dos negros votaram em Hillary nos estados do Sul, de acordo com pesquisas de boca de urna. No Texas, ela teve o apoio de dois terços do eleitorado hispânico.

No total, até agora Hillary venceu em 11 das 16 primárias realizadas e lidera com folga em número de delegados. Diferentemente dos republicanos, entre os democratas os delegados são distribuídos de acordo com uma rígida proporcionalidade. A dinâmica atual está do lado da campanha de Hillary.

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