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Líderes da oposição venezuelana insistem na adoção de sanções pelos EUA

Críticos do presidente Nicolás Maduro cobram do governo americano sanções contra dirigentes venezuelanos

Redação Internacional

28 de julho de 2014 | 23h23

ANÁLISE: Jim Wyss / The Miami Herald

Os Estados Unidos têm “obrigação” moral de estabelecer sanções contra os dirigentes venezuelanos acusados de violação de direitos humanos e outros crimes.

Foi o que afirmaram líderes da oposição durante um fórum no começo do mês em Doral, Flórida, sobre o futuro do país sul-americano. O encontro foi realizado pelo El Nuevo Herald e a Associação dos Jornalistas Venezuelanos no Exterior. Para os críticos do governo uma lei impondo sanções contra a Venezuela e já aprovada na Câmara em maio é necessária para aumentar a pressão contra o governo de Nicolás Maduro, responsável por uma das piores crises econômica e política em décadas.

“Os Estados Unidos, que promovem as convenções internacionais” contra crimes financeiros e violações de direitos humanos, “têm obrigação de ser coerentes e defender as sanções”, disse Beatrice Rangel, ex-ministra do gabinete durante o governo de Caros Andrés Perez e diretora executiva da consultoria Alma.

Horacio Medina, que dirige a sucursal em Miami da coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD), foi mais longe, afirmando que o governo americano não tem uma política coerente no tocante à América Latina desde a Aliança para o Progresso criada no governo de John F. Kennedy. “Independente de concordar com sanções visando o governo que vêm sendo analisadas, a única coisa que eu pediria ao governo é que “pelo amor de Deus, sentem-se e delineiem uma estratégia política para a América Latina”, afirmou Medina, que foi aplaudido pela plateia.

O debate realizou-se num momento em que algumas pessoas insistiam para que os EUA adotassem uma posição mais dura contra a Venezuela em meio aos protestos estudantis que começaram em fevereiro e provocaram 43 mortes, prisões em massa e a detenção de figuras políticas influentes.

A Câmara aprovou lei em maio visando indivíduos que cometeram ou ordenaram o uso da violência, violações dos direitos humanos ou prisões e processos ilegais durante os protestos. A lei também mira aqueles que, conscientemente, “apoiaram, patrocinaram ou forneceram apoio financeiro, material ou tecnológico” para os atos de violência e prisões. A lei contempla punições, como bloqueio de ativos nos EUA e negação ou revogação de vistos.

Para a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA, as sanções são prematuras e seriam vantajosas para Maduro pois permitiriam a ele culpar os EUA pelos problemas do país e não as medidas equivocadas que tem adotado. No início deste mês, porém, o líder da maioria no Senado, Harry Reid, declarou a membros da comunidade latino-americana que apoia o projeto legal, o que aumentou as esperanças de que ele se transforme em lei.

O debate na Flórida também foi realizado num período em que a oposição venezuelana encontra-se bastante dividida e não tem conseguido traduzir sua paixão nas ruas em vitória nas urnas. Entre os participantes do fórum estava Carlos Vecchio, coordenador nacional do partido político Voluntad Popular, que enfrenta acusações pelo seu papel nas manifestações de fevereiro.

Vecchio insistiu que a oposição precisa trabalhar com facções “pró-democracia” dentro do partido no poder para encontrar uma maneira constitucional de por fim à crise antes da próxima eleição presidencial prevista para 2019. “Este combate não é entre pessoas”, disse Vecchio. “A luta na Venezuela é entre a população que está sofrendo – partidários do governo e da oposição – e uma elite corrupta que está no poder e é, a bem dizer, uma cleptocracia.”

O que começou como manifestações estudantis contra o aumento da violência no país e uma economia fragilizada – com a mais alta inflação do hemisfério e escassez esporádica de produtos de primeira necessidade – transformarou-se em protestos nacionais que paralisaram grandes áreas do país. Os protestos diminuíram mas suas consequências políticas persistem. Maduro e outros dirigentes afirmam que os protestos tiveram por fim acobertar uma tentativa de golpe apoiada pelos EUA e acusaram diversos membros conhecidos da oposição de tramarem assassinatos.

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