Mandela, um lorde africano
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Mandela, um lorde africano

Redação Internacional

05 de dezembro de 2013 | 20h09

Líder na libertação da África do Sul, foi resultado das mistura de tradições tribais e conceitos britânicos

Em escolas britânicas, Nelson Mandela aprendeu regras de etiqueta e teve contato com uma cultura literária sofisticada. Em casa, ele fundiu conceitos de honra, propriedade, virtude – e outras ideias vitorianas – com as tradições orais africanas.

A força moral e política de Mandela vinha da crença de que gestos diários de cortesia, consideração e generosidade são capazes de atenuar conflitos. Essa convicção moldou um jeito gracioso de fazer política que, apesar do profundo conservadorismo, foi a única fórmula capaz de conduzir pacificamente a África do Sul à democracia.

Em sua longa carreira política não houve mudanças radicais. A vida de Mandela foi permeada por decisões importantes tomadas após um longo processo de reflexão, na maior parte das vezes influenciado por seus próprios conceitos. Uma de suas crenças mais importantes era a de que as discussões bem fundamentadas levariam ao que ele chamava de “Revolução Legal”, um claro sinal de que o estudo e a prática do Direito tiveram um impacto profundo em seu modo de agir.

O encantamento com o universo jurídico começou em 1941, após sua chegada a Johannesburgo, onde conheceu os amigos Walter Sisulu e Oliver Tambo. Sisulu foi padrinho de Mandela em um escritório de advocacia e quem o apresentou ao Congresso Nacional Africano. O convívio com Tambo, colega e estudante de Direito, um ativista mais reflexivo, deu a Mandela uma base teórica mais sólida.

“Ele foi muito influenciado por Tambo. Mandela tinha carisma, mas faltava a substância que Tambo lhe deu”, escreveu o britânico Anthony Sampson, autor de Mandela: The Authorized Biography, uma das muitas biografias do sul-africano.

Em geral, historiadores prestam pouca atenção à influência que tiveram as ideias colonialistas sobre os líderes nacionalistas da África. Mandela, apesar das raízes africanas, teve a vida tocada por conceitos ocidentais, como os direitos humanos e as obrigações civis. Foi equipado com esse arsenal ético que ele derrotou o apartheid e foi alçado à condição de mito.

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