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Medvedev dá o tom da disputa de 2012

Ricardo Galhardo

20 de dezembro de 2009 | 11h00

Reportagem de Talita Erédia

Ainda que o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o presidente Dmitri Medvedev tenham indicado interesse em se candidatar às eleições presidenciais de 2012, essa disputa não deve ocorrer para não criar instabilidade na Rússia. O impasse pela primeira discordância pública dos líderes deve ser resolvido como tudo na política russa: a portas fechadas. Mas analistas apontam que a vontade de Putin deve prevalecer.

 Steven Pifer, ex-embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia e membro do Brookings Institution, lembra que os dois já falaram de caminhos diferentes, que Medvedev expressou um interesse maior em uma democracia e economia abertas, mas ainda não há evidências de que exista algum tipo de conflito na política russa. “Isso não significa que não existirão diferenças no futuro”, alerta.

Alena Ledeveva, especialista em política russa na University College London, ressalta que ambos deixaram claro que não se enfrentarão nas urnas e que a intenção foi assegurar que não haverá mudanças no desenvolvimento da Rússia. “Eles afirmaram que sentarão e chegarão a um consenso sobre quem disputará a eleição. Putin e Medvedev quiseram mostrar para o mundo e para a população russa que haverá estabilidade no processo eleitoral.”

A analista política Maria Lipman, do Instituto Carnegie para Paz Internacional, de Moscou, aponta que as decisões políticas mostraram que Putin tem mais poder do que Medvedev, ainda que a Constituição defina que o presidente tem mais autoridade. Por isso, sua decisão sobre a eleição deve prevalecer. “No sistema político russo, os debates estão concentradas no alto, onde estão Putin e Medvedev. Não há espaço para um procedimento claro e legitimo para a transferência de autoridade. Isso aconteceu em 2008. Putin encontrou um meio de deixar o cargo e permanecer no poder. É ele quem toma a última decisão.”

 Maria lembra que Medvedev aparece na 43ª posição dos mais poderosos do mundo da revista Forbes, enquanto o premiê russo é o 3º colocado. Pifer acredita que a tendência é que premiê e presidente trabalhem juntos até 2012, descartando a possibilidade de Medvedev renunciar para antecipar as eleições e favorecer Putin. “Medvedev é jovem, saudável, não tem motivos para renunciar, a não ser que exista uma insatisfação geral na Rússia pela crise econômica. E a política econômica está sob a autoridade do premiê, não do presidente. Ele deve ser o presidente até 2012, ainda que não seja a pessoa mais poderosa da Rússia.”

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