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Mesa redonda à la cubana

Ricardo Galhardo

28 de março de 2010 | 00h20

As emissoras de TV cubanas têm uma concepção própria dos programas de “mesa redonda”. Nos debates, o segundo a falar reforça o que o primeiro disse. E o terceiro apresenta um novo argumento para comprovar a mesma ideia. Ou seja, ninguém discorda.

Na semana passada, o tema de um dos programas era “a guerra mediática da comunidade e da imprensa internacional contra Cuba”. Os debatedores passaram boa parte do programa atacando o correspondente do jornal El País, do grupo Prisa. Falaram apenas superficialmente sobre o motivo da “guerra” – a morte do preso político Orlando Zapata após uma greve de fome de 85 dias e o jejum do dissidente Guillermo Fariñas, para pedir a libertação de outros 26 presos políticos que estão doentes. Em um dos programas, um médico, convidado a opinar, chegou a sugerir que Fariñas teria anorexia nervosa.

O nome dos opositores nem sequer é mencionado no ar. São “inomináveis” para que não ganhem fama nacional. Os apresentadores e jornalistas referem-se aos dissidentes como delinquentes ou vende-pátrias. A blogueira Yoani Sánchez, por exemplo, foi identificada por um debatedor numa mesa redonda como “aquela pessoa considerada influente nos EUA, mas que admite que nem os vizinhos sabem quem é aqui em Cuba.” (A declaração foi feita por Yoani após ela ser incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista TIME).

Enfim, é a mesa redonda à la cubana

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