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Farc e governo colombiano anunciam diálogo em Cuba em novembro

Redação Internacional

18 de outubro de 2012 | 11h14

Bruna Ribeiro

OSLO – O governo da Colômbia e as Farc apresentaram nesta quinta-feira, 18, a constituição da mesa de diálogo para negociações de paz, em um hotel de Hurdal, a 80 km da capital Oslo. As partes prometeram buscar um abrangente acordo em encontro que visa acabar com quase meio século de conflito. No dia 15 de novembro, a audiência será transferida a Havana, Cuba.

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Em discurso, o negociador das Farc Ivan Márquez descreveu as negociações como “um sonho coletivo de paz, com um ramo de oliveira em nossas mãos”, disse, em referência ao símbolo da paz. Segundo ele, o objetivo das Farc é buscar a paz com justiça social por meio do diálogo com o povo colombiano como protagonista.  “Uma paz que não aborde uma solução para os problemas políticos e sociais equivaleria a semear ilusões no solo da Colômbia”.

 

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Para Thiago Rodrigues, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense e especialista em segurança sul-americana, a abertura das Farc para negociação só aconteceu porque o grupo está muito debilitado em comparação há dez anos. “No final do governo de Andrés Pastrana, no início dos anos 2000, ele tentou negociar com as Farc, mas em outra situação. Ele estava muito mais frágil, porque as Farc estavam muito fortalecidas”, disse. “Alguns autores chegam a dizer que, no final dos anos 90, o grupo controlava 40% do território”.

Segundo o professor, após a tentativa frustrada, Pastrana elaborou o Plano Colômbia, com a colaboração dos Estados Unidos e uma conotação explicitamente militar, para combater o narcotráfico e as guerrilhas. “Quem aplicou o plano, que durou 6 anos, foi o presidente Álvaro Uribe. Quando o atual presidente, Juan Manuel Santos, chegou ao poder, ele já tinha uma situação mais favorável, porque o plano foi efetivo para debilitar as Farc”, explicou.

Economia

Embora o negociador da Colômbia, Humberto de la Calle, tenha dito que ambas as partes concordaram com a necessidade de uma mudança social, o governo se recusou a discutir o modelo econômico, criticado em discurso das Farc. “O modelo econômico não é um tema que está em discussão nesta mesa”, advertiu de la Calle. “Vamos analisar se essas negociações avançarão. Se isso não acontecer, o governo não está refém deste processo”.

Compromisso

As partes assumiram o compromisso de iniciar este diálogo de paz no último dia 26 de agosto, mediante o chamado “acordo geral para o término do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura”. O acordo, que não inclui um cessar-fogo prévio, foi assinado após seis meses de negociações em Cuba.

 

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