Morta há 58 anos, Evita ainda exerce fascínio sobre argentinos
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Morta há 58 anos, Evita ainda exerce fascínio sobre argentinos

Redação Internacional

31 de outubro de 2010 | 08h00

Eva María Duarte de Perón, mais conhecida como “Evita”, morreu em 26 de julho de 1952. A hora de sua morte, 20h25, transformou-se, durante um bom tempo, em momentos de silêncio absoluto na Argentina.  “Na rádio, faziam um minuto de silêncio todos os dias, durante meses. Quem interrompia o silêncio nas ruas corria o risco de ser preso”, explicou ao Estado o historiador Daniel Balmaceda.

Quando Evita morreu, o governo decretou um mês de luto nacional. Só o velório durou 14 dias. O corpo da “mãe dos pobres” precisou receber um tratamento químico para evitar sua decomposição. Posteriormente foi embalsamado.

O funeral de Evita foi monumental. Quem planejou cada detalhe foi Alejandro Apod, secretário de Propaganda, mais conhecido como o “Goebbels” do ex-presidente Juan Domingo Perón, em referência ao ministro nazista. Mais de 3 milhões de pessoas deram o último adeus à mulher do então presidente. Perón usou a procissão como um plebiscito fúnebre.

A magnitude do funeral da “porta-estandarte dos humildes” inspirou, três décadas depois, a ópera-rock Evita, de Andrew Loyd Weber, que nos anos 90 foi transformada em filme por Alan Parker.

Com sua morte, Evita virou nome de cidade e de província. O município de La Plata, capital da Província de Buenos Aires, foi rebatizado de Ciudad Evita. E a Província La Pampa perdeu o nome e foi designada Eva Perón.

Viva, Evita foi a principal agente de mobilização de massas da Argentina. Morta, concedeu seu nome e sua imagem a inúmeros locais, servindo de garota propaganda do governo do viúvo, o general Juan Domingo Perón.

Nas décadas seguintes, entre 1955 e 1978, seu corpo foi sequestrado como elemento de barganha política. Acabou recuperado e novamente enterrado.

Com a volta da democracia, em 1983, sua imagem foi novamente usada pelo peronismo para decorar cartazes eleitorais. E Evita continua presente até hoje. A presidente Cristina Kirchner costuma discursar sob uma imensa imagem da “protetora dos descamisados”. (Ariel Palacios)

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