Mossul, último reduto do Estado Islâmico no Iraque
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Mossul, último reduto do Estado Islâmico no Iraque

Forças iraquianas, apoiada por coalizão internacional e com combatentes curdos, sunitas e xiitas, lançaram operação para retomar o controle da segunda maior cidade do país

Redação Internacional

17 de outubro de 2016 | 16h18

Mossul, segunda maior cidade do Iraque e onde as Forças Armadas iraquianas, apoiadas por uma coalizão dirigida pelos Estados Unidos, lançaram nesta segunda-feira, 17, uma ofensiva para reconquistá-la, está em poder do grupo Estado Islâmico (EI) desde junho de 2014.

Saiba mais sobre a cidade, um dos últimos redutos do EI no país:

– Rica em petróleo
Atravessada pelo rio Tigre e situada 350 quilômetros ao norte de Bagdá, Mossul é a maior cidade do norte do Iraque e capital da Província de Nínive, rica em petróleo. Plataforma comercial entre Turquia, Síria e o resto do Iraque, Mossul era conhecida por seus finos tecidos de algodão, as musselinas.

Foi durante muito tempo famosa por seus sítios históricos, seus monumentos do século 18 e seus parques, antes de se converter em um campo de confrontos cotidianos após a invasão americana em 2003. Último reduto do partido Baath do falecido ditador Saddam Hussein, e depois reduto da Al-Qaeda, a cidade caiu nas mãos dos extremistas do EI em 10 de junho de 2014 sem opor muita resistência.

Forças curdas avançam em direção a Mossul durante operação para retomar controle da cidade (AP Photo/Bram Janssen)

Forças curdas avançam em direção a Mossul durante operação para retomar controle da cidade (AP Photo/Bram Janssen)

Foi em Mossul que os extremistas proclamaram em 29 de junho de 2014 seu califado, localizado entre Síria e Iraque. Cidade majoritariamente sunita em uma região de maioria curda, contava tradicionalmente com muitas minorias (curdos, turcomanos, xiitas, cristãos, etc).

Dezenas de milhares de habitantes, centenas dos quais retornaram posteriormente, fugiram dos extremistas, principalmente a maior parte dos milhares de cristãos. A eles, o EI deu um ultimato em julho de 2014: ou se convertiam ao Islã, ou pagavam um imposto, ou deixavam a cidade sob pena de ser executados. Calcula-se que sua população atual seja de 1,5 milhão de habitantes, sobretudo árabes sunitas.

– Mesquita e santuário destruídos
Desde julho de 2014, o EI atacou os mausoléus xiitas e os santuários, muitos dos quais estavam ricamente decorados. O grupo explodiu a mesquita que abrigava o túmulo do profeta Jonas (Nabi Yunes) e o santuário de Seth (Nabi Shith), considerado o terceiro filho de Adão e Eva, segundo as tradições judaica, cristã e islâmica.

Em fevereiro de 2015, os extremistas se filmaram enquanto vandalizavam os tesouros do museu de Mossul, grande parte dos quais datavam dos períodos assírio e helenístico.

Durante o verão de 2016, a coalizão internacional lançou muitos ataques ao redor da cidade, que ficou fortemente danificada durante a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988) e durante os bombardeios da força aérea americana antes de ser conquistada pelas forças curdo-americanas em abril de 2003.

– História conflituosa
Situada diante das ruínas da antiga Nínive, na Alta Mesopotâmia, Mossul foi conquistada pelos árabes em 641.

Capital de um Estado Seljuk no fim do século 11, alcançou seu apogeu no século 12. Foi conquistada e saqueada pelos mongóis (1262) e caiu nas mãos dos persas e, depois, dos otomanos.

Em 1918, a Grã-Bretanha anexou esta região petrolífera ao Iraque (sob mandato britânico), enquanto a França havia planejado anexá-la à Síria francesa. A Turquia protestou, mas a Sociedade de Nações (SDN) confirmou a anexação em 1925.

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