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Egípcia de 49 anos é a primeira mulher a disputar a presidência no país

Redação Internacional

15 de junho de 2011 | 23h06

Por Marília Lopes

ReproduçãoCAIRO – Bothaine Kamel, a primeira mulher a disputar a presidência no Egito, é personagem de uma matéria publicada no jornal The New York Times nesta quarta-feira, 15. Kamel é ativista e âncora de televisão. Seu lema de campanha é simples: “A minha agenda é o Egito”.

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A vida política, no entanto, não é novidade para Kamel e teve início depois de um episódio marcante em sua vida como âncora de um jornal de televisão. Em 2005, após um referendo sobre uma alteração na Constituição egípcia quase não ter adesão popular, ela, que trabalhava em uma televisão estatal, teve que afirmar que a adesão havia sido recorde.

Entretanto, como conta o jornal americano, a votação naquele dia havia sido marcada pela violência das forças de segurança contra os manifestantes – algo que não foi mencionado no noticiário estatal. Logo após a votação daquele dia, ela e outras mulheres formaram o Shayfeen.com – “Estamos de olho em você” -, um grupo para monitorar as eleições parlamentares.

Fortuna escondida. Antes disso, Kamel, de 49 anos, apresentou por seis anos um programa semanal de rádio chamado “Nighttime Confessions”, no qual ouvintes falavam de dilemas pessoais e procuravam aconselhamento sobre temas como abuso sexual, sexo antes do casamento e relações extraconjugais. O programa foi retirado do ar abruptamente em 1998, sob a acusação de danificar a reputação do Egito e sua juventude. Mais tarde, ela apresentou um programa em um canal de televisão saudita via satélite.

Porém, quando ia apresentar um episódio sobre a fortuna escondida do ex-ditador Hosni Mubarak, presidente egípcio deposto em fevereiro, diretores do canal avisaram que seu programa não iria ao naquele dia. Desde então, apenas as reprises são transmitidas.

‘Uma centena de homens’. Episódios como esses fizeram Kamel ficam conhecida como “a mulher que é como uma centena de homens”. Ela é um rosto conhecido em manifestações pró-democracia e, muitas vezes, já agiu como escudo humano para impedir a detenção de outros manifestantes.

Sua campanha presidencial se concentra na luta contra a pobreza e a corrupção. Kamel, que é muçulmana, recentemente passou a usar um colar com os seguintes dizeres: “Sou egípcia” e “contra a corrupção”. Ela anunciou sua intenção de concorrer à presidência pelo Twitter, em abril. Kamel usa as redes sociais como sua principal forma de fazer publicidade na campanha. De acordo com o conselho militar que governa o Egito desde a queda de Mubarak, a eleição deve acontecer até o final do ano.

Segundo a reportagem do New York Times, Kamel tem viajado todo o Egito em campanha presidencial. Em um encontro de campanha, ela conheceu Andrew Karsch, um produtor e escritor que também já trabalhou na política. Em 2008, ano em que Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Karsch trabalhou em uma organização americana sem fins lucrativos cujo objetivo era sensibilizar os eleitores. Ele desenvolveu projetos com jovens engajados na política. Karsch sugeriu que a candidata egípcia utilizasse estratégias semelhantes para a sensibilização do eleitorado.

Revolução social. Kamel pondera que o principal desafio como candidata independente é a falta de organização. Ela acredita que mais importante que uma revolução política, é que ocorra uma revolução social no Egito. “Se não tivermos uma revolução social, todos os ganhos serão perdidos”, disse ao New York Times.

Em maio, Kamel foi convocada por um promotor militar para uma reunião. Ela mesma conta que a reunião foi cordial e que não sofreu nenhuma acusação nem foi pressionada, porém, a simples convocação deixou a candidata preocupada. Ainda assim, Kamel acredita num Egito livre, “Deus nos fará vitoriosos”, acredita.

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