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No Sri Lanka, velhos crimes contra alvos novos

Marcelo de Moraes

09 de fevereiro de 2010 | 03h00

Mahinda Rajapaksa, presidente do Sri Lanka (país que até 1972 era chamado Ceilão), mandou prender ontem seu maior rival, o general da reserva Sarath Fonseka, acusado de conspirar contra o governo.

A medida é importante por três fatores. Primeiro, dá sinais de que o governo desta ilha – que é pouco maior que o Estado de Sergipe e, como o Brasil, já foi ocupada por portugueses, em 1505 – continuará usando a violência contra seus opositores. Em segundo lugar, mostra o que todas as organizações de direitos humanos dizem há muito tempo: crimes de guerra não punidos criam ambiente favorável para violações futuras, numa espiral de consequências trágicas. Por último, mostra o quanto a comunidade internacional tem poder limitado quando se trata de impedir desmandos de governos autoritários.

Ao contrário do que possa parecer, Rajapaksa e Fonseka foram grandes aliados até novembro, quando concorreram à presidência por partidos opostos. Os dois lideraram, ao longo de 2009, um verdadeiro massacre contra membros da etnia tâmil, minoritária no país, sob o pretexto de aniquilar com uma das guerrilhas mais antigas da Ásia, os Tigres para a Libertação do Eelam-Tâmil (LTTE, na sigla em inglês). Ambos são acusados de crimes de guerra, mas nenhum dos dois foi punido. Com os olhos e as armas voltadas agora para seu ex-aliado, Rajapaksa mostrará mais uma vez até onde pode chegar para silenciar quem se opõe aos seus planos.

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